Aumento das vendas de automóveis a desacelerar em 2017

O setor automóvel tem sido dos mais atingidos pela crise económica, tendo sofrido grandes oscilações nos últimos anos. Prevê a ACAP (Associação Automóvel de Portugal) que 2017 será um ano para abrandar.

Depois da tempestade… a bonança

Após a abrupta queda das vendas de veículos, provocada pela crise em que se mergulhou e permaneceu até meados de 2013, altura em que o mercado automóvel atingiu mínimos históricos, temos vindo a assistir a um significativo aumento da venda de veículos. É o resultado, e ao mesmo tempo o indicador, de melhorias na saúde da economia europeia e mundial.

Todavia, esse aumento tem vindo a desacelerar ao longo dos anos.

O que nos dizem os números

De acordo com os dados da ACAP, o mercado automóvel cresceu 36% em 2014, 24% em 2015 e 15,8% em 2016. Não obstante se registe um crescimento, o certo é que esse crescimento tem sido menor de ano para ano, assistindo-se a uma franca desaceleração do setor.

Agora a ACAP prevê, para 2017, um aumento de apenas 2% para a venda de ligeiros de passageiros, e de cerca 3% para a venda de comerciais de passageiros. Tal desaceleração é também patente e previsível no que concerne ao mercado dos veículos pesados.

Os números não mentem

A desaceleração já se fez sentir, intensamente, no passado mês de Janeiro. De facto, após um ano como o de 2016, em que o setor automóvel representou 21,6% das receitas fiscais do Estado, registou-se, logo no primeiro mês de 2017, um crescimento substancialmente inferior, na ordem dos 9,5%.

Tendo em consideração os vários tipos de veículos, note-se que em 2016 as vendas de ligeiros de passageiros cresceram 16,2%, os comerciais ligeiros venderam mais 13% e o mercado dos pesados cresceu 19,4%.

Já no início do corrente ano, a comercialização de ligeiros de passageiros registou um aumento de apenas 7,8%, e de 26,3% nos comerciais ligeiros. Os pesados venderam menos, tendo havido um decréscimo das vendas na ordem dos 10,7% no mesmo período temporal. As vendas de pesados de passageiros reduziram 6% e as de pesados de mercadorias 11,6% relativamente ao período homólogo no ano anterior.

As marcas da liderança

Depois do escândalo que quase arruinou a Volkswagen, os portugueses voltaram a sua atenção para a Renault e, logo a seguir, para a Peugeot. Marcas que lideraram as vendas no passado mês de Janeiro.

Destaque merecido também para a Hyundai, que liderou a venda de comerciais ligeiros no mesmo período.

Saliente-se que a Renault tem merecido a preferência dos consumidores portugueses, e não só.

De acordo com os dados fornecidos pela Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis a Renault, em Dezembro de 2016, assinalou um aumento da procura na ordem dos 14%. Em todo o ano de 2016, a Renault viu as suas vendas aumentar, dentro do mercado europeu, cerca de 12%.

Apesar do cenário mais positivo e de crescimento, o certo é que atravessamos uma época conturbada, quer em termos económicos quer políticos, em que fenómenos como o Brexit e a nova (e polémica) presidência norte-americana inspiram especiais cautelas quanto ao futuro.

Será caso para dizer: “Prognósticos… só no fim do jogo”.

Autor: Ricardo Rodrigues

 

CEO e Fundador da RRNValores Unipessoal, Lda, Ricardo Rodrigues gere uma equipa formada por consultores, criadores de conteúdos e programadores que desenvolvem e mantêm uma plataforma gratuita com informação e comparação de produtos bancários.

Formado em Engenharia Civil pelo Instituto Superior de Engenharia de Lisboa (ISEL) e apaixonado pela área Financeira, criou o nvalores.pt em Agosto de 2013 com a missão de garantir uma comparação independente de produtos bancários em Portugal.

Exerceu funções de consultor financeiro independente na Empresa Maxfinance, nomeadamente assessoria na obtenção de crédito pessoal, crédito consolidado, crédito automóvel, cartões de crédito, crédito hipotecário, leasing, seguros e aplicações financeiras.

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