Novo Banco do BES

No auge da crise do Banco Espírito Santo (BES) surgiu o anúncio que poucos esperavam: o BES deixaria de existir a partir naquele momento (pelo menos como entidade bancária em operação), nascendo o Novo Banco. Enquanto Carlos Costa, o governador do Banco de Portugal lia o extenso comunicado, começaram de imediato a surgir as primeiras questões relativamente ao Novo Banco do BES e ao seu funcionamento.

A própria designação da nova entidade bancária levantou algumas dúvidas entre o público, sendo muitas as pessoas que acreditaram que o novo nome seria algo como “Novo Banco do BES”. Contudo, a decisão do Banco de Portugal passou por deixar cair completamente a designação BES.

A decisão de remover por completo a marca BES do Novo Banco não é unânime entre os profissionais de imagem e especialistas em marcas. De um lado está quem defende que a decisão de deixar cair a marca BES foi mal pensada.

De acordo com essa visão, se o pretendido era a valorização dos ativos, clientes e balcões pertencentes ao BES, a melhor decisão teria passado por manter o nome BES no banco limpo e atribuir a nova designação ao banco que ficaria com os ativos tóxicos.

Quem alinha por esta linha de pensamento, afirma ainda que abdicar da marca Banco Espírito Santo é abrir mão de uma marca consolidada, com boas referências e reputação no mercado.

Do outro lado, está quem acredita que a marca Banco Espírito Santo saiu irremediavelmente afetada desta polémica, pelo que não faria sentido transportar a designação para a nova entidade bancária.

De qualquer das maneiras, durante a madrugada do dia 3 para o dia 4, a imagem do site do BES foi alterada passando a ostentar o novo nome do banco e o novo slogan: “Novo Banco, Mais Forte e Mais Seguro”.

O Nascimento do Novo Banco

Foi no dia seguinte, na segunda-feira dia 4 de Agosto, que nasceu oficialmente o Novo Banco. O país acordou ainda atordoado pela inédita operação relâmpago que dividiu o BES em duas instituições: o banco bom e o banco mau, ou se preferirem o Novo Banco do BES e o BES mau.

A nova instituição, o Novo Banco foi capitalizado com 4,9 mil milhões de euros, provenientes do fundo de resolução. As perdas do BES-mau foram inteiramente suportadas pelos seus acionistas e detentores de obrigações subordinadas.

Mas importa analisar o que conduziu a este desfecho. O anúncio dos resultados semestrais constituiu o primeiro sinal evidente de que algo muito grave se aproximava. O prejuízo astronómico de 3,57 mil milhões de euros fez com que o rácio de solidez do BES caísse para somente 5%, número inferior ao requisito de 7%, exigido pelo Banco de Portugal.

A tentativa desesperada do BES para se conseguir recapitalizar parecia difícil de concretizar e as incertezas avolumavam-se, pelo que eram cada vez mais as vozes que previam a eminência de uma intervenção pública.

A informação constante numa ata de uma reunião do Banco de Portugal, entretanto tornada pública por uma sociedade de advogadas acrescentou mais dados à situação, revelando que o Banco Central Europeu terá forçado o BES a devolver um crédito de 10 mil milhões de euros e suspendeu o acesso do banco às suas linhas de financiamento.

Esta ata tem o dia de 3 de Agosto, exatamente o dia em que a intervenção no banco foi anunciada. Desta forma, parece evidente que esta decisão do BCE terá contribuído para a celeridade de todo o processo.

A Nova Realidade para os Clientes

No que diz respeito à relação dos clientes do antigo BES com a nova instituição financeira, nada deverá mudar.

O comunicado de Carlos Costa ao país enfatizou exatamente este aspeto, declarando que os clientes do BES transitaram de forma automática para o Novo Banco, continuando a ter acesso a todos os recursos – balcões físicos, banca eletrónica, etc.

O Banco de Portugal garantiu ainda que todos os depósitos serão preservados, o mesmo acontecendo com todas as obrigações não subordinadas. Todos os depósitos, assim como todos os créditos, transitaram assim para o Novo Banco.

A maioria dos clientes aceitou bem esta situação, o que se traduziu no funcionamento normal dos balcões do Novo Banco, nos dias que se seguiram ao anúncio desta decisão. A temida corrida aos balcões para levantamento dos depósitos não aconteceu.

Veja A Nossa Sugestão

Autor: Ricardo Rodrigues

 

CEO e Fundador da RRNValores Unipessoal, Lda, Ricardo Rodrigues gere uma equipa formada por consultores, criadores de conteúdos e programadores que desenvolvem e mantêm uma plataforma gratuita com informação e comparação de produtos bancários.

Formado em Engenharia Civil pelo Instituto Superior de Engenharia de Lisboa (ISEL) e apaixonado pela área Financeira, criou o nvalores.pt em Agosto de 2013 com a missão de garantir uma comparação independente de produtos bancários em Portugal.

Exerceu funções de consultor financeiro independente na Empresa Maxfinance, nomeadamente assessoria na obtenção de crédito pessoal, crédito consolidado, crédito automóvel, cartões de crédito, crédito hipotecário, leasing, seguros e aplicações financeiras.

Email: geral@nvalores.pt