novo banco do BES

Novo Banco do BES

By | 2017-05-19T01:32:58+00:00 12/08/2014|Categories: Banca|

No auge da crise do Banco Espírito Santo (BES) surgiu o anúncio que poucos esperavam: o BES deixaria de existir a partir naquele momento (pelo menos como entidade bancária em operação), nascendo o Novo Banco. Enquanto Carlos Costa, o governador do Banco de Portugal lia o extenso comunicado, começaram de imediato a surgir as primeiras questões relativamente ao Novo Banco do BES e ao seu funcionamento.

A própria designação da nova entidade bancária levantou algumas dúvidas entre o público, sendo muitas as pessoas que acreditaram que o novo nome seria algo como “Novo Banco do BES”. Contudo, a decisão do Banco de Portugal passou por deixar cair completamente a designação BES.

A decisão de remover por completo a marca BES do Novo Banco não é unânime entre os profissionais de imagem e especialistas em marcas. De um lado está quem defende que a decisão de deixar cair a marca BES foi mal pensada.

De acordo com essa visão, se o pretendido era a valorização dos ativos, clientes e balcões pertencentes ao BES, a melhor decisão teria passado por manter o nome BES no banco limpo e atribuir a nova designação ao banco que ficaria com os ativos tóxicos.

Quem alinha por esta linha de pensamento, afirma ainda que abdicar da marca Banco Espírito Santo é abrir mão de uma marca consolidada, com boas referências e reputação no mercado.

Do outro lado, está quem acredita que a marca Banco Espírito Santo saiu irremediavelmente afetada desta polémica, pelo que não faria sentido transportar a designação para a nova entidade bancária.

De qualquer das maneiras, durante a madrugada do dia 3 para o dia 4, a imagem do site do BES foi alterada passando a ostentar o novo nome do banco e o novo slogan: “Novo Banco, Mais Forte e Mais Seguro”.

O Nascimento do Novo Banco

Foi no dia seguinte, na segunda-feira dia 4 de Agosto, que nasceu oficialmente o Novo Banco. O país acordou ainda atordoado pela inédita operação relâmpago que dividiu o BES em duas instituições: o banco bom e o banco mau, ou se preferirem o Novo Banco do BES e o BES mau.

A nova instituição, o Novo Banco foi capitalizado com 4,9 mil milhões de euros, provenientes do fundo de resolução. As perdas do BES-mau foram inteiramente suportadas pelos seus acionistas e detentores de obrigações subordinadas.

Mas importa analisar o que conduziu a este desfecho. O anúncio dos resultados semestrais constituiu o primeiro sinal evidente de que algo muito grave se aproximava. O prejuízo astronómico de 3,57 mil milhões de euros fez com que o rácio de solidez do BES caísse para somente 5%, número inferior ao requisito de 7%, exigido pelo Banco de Portugal.

A tentativa desesperada do BES para se conseguir recapitalizar parecia difícil de concretizar e as incertezas avolumavam-se, pelo que eram cada vez mais as vozes que previam a eminência de uma intervenção pública.

A informação constante numa ata de uma reunião do Banco de Portugal, entretanto tornada pública por uma sociedade de advogadas acrescentou mais dados à situação, revelando que o Banco Central Europeu terá forçado o BES a devolver um crédito de 10 mil milhões de euros e suspendeu o acesso do banco às suas linhas de financiamento.

Esta ata tem o dia de 3 de Agosto, exatamente o dia em que a intervenção no banco foi anunciada. Desta forma, parece evidente que esta decisão do BCE terá contribuído para a celeridade de todo o processo.

A Nova Realidade para os Clientes

No que diz respeito à relação dos clientes do antigo BES com a nova instituição financeira, nada deverá mudar.

O comunicado de Carlos Costa ao país enfatizou exatamente este aspeto, declarando que os clientes do BES transitaram de forma automática para o Novo Banco, continuando a ter acesso a todos os recursos – balcões físicos, banca eletrónica, etc.

O Banco de Portugal garantiu ainda que todos os depósitos serão preservados, o mesmo acontecendo com todas as obrigações não subordinadas. Todos os depósitos, assim como todos os créditos, transitaram assim para o Novo Banco.

A maioria dos clientes aceitou bem esta situação, o que se traduziu no funcionamento normal dos balcões do Novo Banco, nos dias que se seguiram ao anúncio desta decisão. A temida corrida aos balcões para levantamento dos depósitos não aconteceu.

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About the Author:

Formado em Engenharia e apaixonado pela área Financeira, Ricardo Rodrigues criou a NValores em Agosto de 2013 com a missão de melhorar a literacia financeira dos Portugueses. Exerceu funções profissionais inerentes à categoria de Consultor Financeiro na Empresa Maxfinance, nomeadamente assessoria na obtenção de crédito pessoal, crédito consolidado, crédito automóvel, cartões de crédito, crédito hipotecário, leasing, seguros e aplicações financeiras. Desde de 2013 com funções profissionais inerentes à categoria de CEO na RRNValores Unipessoal, Lda, especificamente, gere uma equipa formada por consultores, marketing de conteúdos e programadores que criam, desenvolvem e mantêm uma plataforma com informação e comparação de produtos financeiros gratuita para todos os utilizadores. Email: geral@nvalores.pt

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