Resumo da semana: Portugal fechou a semana com boas notícias nas contas públicas e uma economia a crescer moderadamente. No primeiro semestre, o país registou um excedente orçamental de ~1% do PIB, superando a meta anual de 0,3%.
O Orçamento do Estado para 2026 (OE 2026) já tem datas marcadas: o Governo entrega a proposta até 10 de outubro e o debate parlamentar na generalidade acontecerá a 27 e 28 de outubro, com votação final a 27 de novembro.
No plano internacional, as agências de rating melhoraram a nota de Portugal – a S&P subiu para A+ no final de agosto, e poucas semanas depois a Fitch elevou para A – refletindo a confiança na trajetória financeira do país.
Enquanto isso, dados do segundo trimestre confirmam que a economia portuguesa continua a avançar: o PIB cresceu +0,6% face ao trimestre anterior e +1,9% face ao ano passado. A inflação mantém-se controlada (2,8% em agosto) e os combustíveis estabilizados (gasóleo +0,5 cêntimos; gasolina -1 cêntimo na próxima semana), ajudando a preservar o poder de compra das famílias.
A seguir detalhamos os principais destaques da economia nesta semana em Portugal, em linguagem clara e com um toque mais informal.
Veja também: Evolução da dívida pública: o que pesa no orçamento
Contas públicas em alta e OE 2026 no horizonte
Excedente histórico: As finanças públicas portuguesas continuam a surpreender. No primeiro semestre de 2025, o Estado registou um excedente orçamental equivalente a 1% do PIB – um número expressivo, confirmado pelo INE, que contrasta com anos anteriores.
Para se ter ideia, a meta oficial para o ano inteiro de 2025 era um excedente de apenas 0,3% do PIB, valor que agora parece perfeitamente ao alcance (o próprio FMI chegou a projetar 0,5%). Em suma, Portugal está a gastar menos do que arrecada, algo raro e positivo.
Orçamento 2026 encaminhado: O Orçamento do Estado para 2026 já está a ganhar forma. O Governo entrega a proposta até 10 de outubro e o Parlamento definiu o calendário: debate na generalidade nos dias 27 e 28 de outubro, com votação final global a 27 de novembro.
O que se espera deste orçamento? Continuidade nas políticas fiscais, com prolongamento dos alívios no IRS para as famílias, consolidação da redução do IRC (a taxa poderá baixar para ~19% em 2026) e, claro, manutenção de um saldo positivo nas contas do Estado.
Ainda assim, alguns analistas – incluindo o Conselho de Finanças Públicas – alertam que poderá haver riscos de um pequeno défice em 2026 se a economia abrandar. Será um exercício de equilíbrio entre aliviar impostos e garantir contas certas.
Verifica: Calculadora de despesas mensais
Função Pública: Outra novidade importante diz respeito aos salários do setor público. O Governo propôs estender até 2029 o acordo de aumentos anuais de 60,52 € na base salarial da Função Pública.
Em termos práticos, isto significa que, durante os próximos anos, os funcionários públicos poderão contar com aumentos fixos de ~60 € (ou 2,3%, dependendo do salário) todos os anos, acumulando cerca de +300 € no vencimento base ao longo do período.
Esta medida, a confirmar-se, aumentará a massa salarial do Estado de forma significativa – algo que os sindicatos aplaudem como recuperação de poder de compra, embora considerem “insuficiente” face à inflação passada. Também aumenta naturalmente a despesa corrente do governo nos próximos orçamentos.
Por que isto importa para o seu bolso: Contas públicas no verde e ratings em alta costumam ser uma boa notícia para o cidadão comum. Com excedentes orçamentais e uma reputação de crédito melhorada, o Estado consegue financiar-se a juros mais baixos.
E quando o custo da dívida desce, isso tende a puxar para baixo os juros bancários para empresas e famílias também – bom para quem tem ou procura crédito (spreads menores) e para incentivar investimento e poupança.
Resumindo, um país financeiramente saudável cria um ambiente favorável à estabilidade económica que acaba por beneficiar o dia a dia de todos.
Verifica: Simulador de Taxa de esforço – o que é e como calcular
Economia cresce de forma moderada
Após um início de ano meio tremido, a economia portuguesa recuperou algum fôlego na primavera. O Produto Interno Bruto (PIB) do 2.º trimestre de 2025 cresceu +0,6% em relação ao trimestre anterior e +1,9% face ao mesmo período de 2024.
Estes dados, confirmados pelo INE, mostram um ritmo de crescimento moderado, mas encorajador – especialmente depois de um 1.º trimestre fraquinho (em que até houve ligeira quebra em cadeia). No trimestre atual, consumo interno e exportações voltaram a dar um empurrão ao PIB, sinal de que tanto as famílias como as empresas retomaram algum otimismo entre abril e junho.
Para o futuro próximo, as previsões oficiais também são positivas, embora prudentes. O Banco de Portugal, nas projeções divulgadas em junho, anteviu que em 2025 o PIB deverá crescer entre 1,6% e 2,2% (com um cenário central próximo de 2,2%) e que a inflação (IHPC) ficará em torno de ~1,9%.
Ou seja, espera-se um crescimento modesto mas contínuo, e preços relativamente estáveis, até existir uma atualização destas projeções no boletim de outono. Vale lembrar que, em 2024, o crescimento acabou por ser de ~2,1%, portanto 2025 pode ficar num patamar semelhante ou ligeiramente abaixo, conforme estas estimativas.
Em resumo, a economia está a avançar sem grandes soluços, mas também sem foguetório – um equilíbrio que, dadas as circunstâncias internacionais, não deixa de ser meritório.
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Mercado de trabalho: desemprego em mínimos históricos
Boas notícias também no mercado de trabalho. A taxa de desemprego em Portugal caiu para 5,9% no 2.º trimestre de 2025, uma descida de 0,7 pontos percentuais face ao trimestre anterior.
Para encontrar níveis de desemprego tão baixos, é preciso recuar muitos anos – é possivelmente uma das taxas mais baixas das últimas décadas. Em números absolutos, entre abril e junho havia cerca de 329,5 mil pessoas desempregadas, significativamente menos do que no início do ano.
Ao mesmo tempo, a população empregada aumentou para mais de 5,2 milhões, atingindo um recorde desde que há registos modernos (2011).Ou seja, nunca tanta gente esteve empregada em Portugal desde pelo menos 2011.
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Em termos setoriais, o emprego cresceu sobretudo nos serviços e no turismo (aproveitando a época da Páscoa e início do verão), mas também se recuperaram alguns postos na indústria. E com mais gente a trabalhar e menos à procura de emprego, também a população ativa total subiu ligeiramente.
Tudo isto indica um mercado laboral aquecido, apesar do crescimento económico moderado – uma combinação que sugere ganhos de produtividade e confiança das empresas em contratar.
Para as famílias, este cenário de desemprego baixo é animador: mais oportunidades de trabalho e, espera-se, maior pressão para subida de salários em alguns setores, dado a menor oferta de mão de obra disponível.
Resta saber se esta tendência continuará até final do ano, mas por agora o emprego é um ponto claramente positivo na fotografia económica do país.
Veja também: Salários em atraso: o que fazer
Inflação sob controlo e preços aliviados
A inflação em Portugal continua relativamente comportada, sobretudo quando comparada com os picos que vimos no último ano. Em agosto, o Índice de Preços no Consumidor (IPC) registou uma subida homóloga de 2,8%.
Essa taxa foi ligeiramente superior à de julho (+0,2 pontos percentuais), mas ainda dentro de um intervalo considerado aceitável e próximo da meta dos 2% do BCE. Significa que, em média, os preços em agosto de 2025 estavam 2,8% acima do que estavam em agosto de 2024 – uma inflação moderada, especialmente depois de termos passado por meses de inflação muito mais alta no ano anterior.
Um dado interessante é que, na indústria, os preços na porta da fábrica até caíram: o índice de preços à produção industrial registou -4,3% em agosto (ou seja, os bens à saída da indústria estavam mais baratos que há um ano). Isso reflete a desaceleração dos custos energéticos e de matérias-primas, e pode ser um bom presságio de que não teremos pressões inflacionistas vindas da produção nos próximos meses.
Claro que nem tudo desceu – por exemplo, os alimentos continuaram a encarecer de forma acima da média, mas mesmo aí o ritmo de subida abrandou um pouco.
Combustíveis estáveis: Após muita volatilidade no início do ano, os preços dos combustíveis tiveram um comportamento benigno ultimamente.
Na semana de 23 a 29 de setembro praticamente não houve alterações significativas nas bombas, e para a próxima semana (29 de setembro a 5 de outubro) as previsões apontam apenas para um ajuste mínimo: uma subida de +0,5 cêntimos por litro no gasóleo e uma descida de -1 cêntimo na gasolina.
Em termos práticos, isto é quase nada – o gasóleo comum deverá ficar em torno de 1,57 €/litro, e a gasolina 95 perto de 1,70 €/litro, preços médios semelhantes aos atuais. Esta estabilização dos combustíveis, após as descidas de imposto e as flutuações do petróleo, dá um alívio importante às carteiras das famílias e empresas, já que o combustível impacta diretamente os custos de transporte e logística.
Impacto no dia a dia: Traduzindo estes números para a vida real – com a inflação moderada e os combustíveis relativamente estáveis, as famílias portuguesas conseguem preservar melhor o seu rendimento disponível.
Ou seja, sobra um pouco mais no final do mês, porque os preços não estão a disparar e encher o depósito não está a ficar proibitivo. Isso facilita também a gestão das despesas fixas, como as deslocações diárias para o trabalho ou o pagamento de serviços ligados à energia. Por exemplo, pense no crédito à habitação: com a inflação controlada, o BCE tende a não subir tanto os juros, o que evita aumentos bruscos na Euribor.
Aliás, uma subida de 0,25 pontos percentuais na Euribor traduz-se em cerca de +24 € na prestação mensal de um crédito de 200 mil euros – cerca de 288 € por ano a mais – portanto, cada ponto a menos na inflação e nos juros conta bastante no orçamento familiar. Felizmente, para já, esses aumentos estão contidos.
Veja também: Inflação: como funciona e porque mexe no seu bolso
Ratings em alta e confiança dos investidores
O rating soberano de Portugal recebeu dois votos de confiança importantes nas últimas semanas. Em 29 de agosto, a agência Standard & Poor’s (S&P) elevou a nota do país de A para A+ (estável), citando a contínua redução da dívida externa e a resiliência económica de Portugal.
Poucos dias depois, a Fitch seguiu o exemplo: em 12 de setembro, subiu o rating de A- para A (estável), destacando a força orçamental do país (ou seja, as boas contas públicas) e o processo de desalavancagem externa, isto é, a redução da dívida face ao exterior.
Ambas as agências referiram que Portugal apresenta excedentes primários (ou seja, antes dos juros da dívida já gasta menos do que arrecada) de forma consistente e tem uma estratégia prudente de gestão da dívida – com muita dívida a taxa fixa, o que nos protege de flutuações de mercado.
Por que isto interessa? Porque o rating é como a nota de crédito do país. Subir de A- para A ou A+ coloca Portugal num patamar mais elevado de confiança para os investidores internacionais. Isso costuma traduzir-se em juros mais baixos quando o Estado ou as empresas nacionais se financiam lá fora.
Em outras palavras, fica mais barato para Portugal emitir obrigações do Tesouro, e os bancos também conseguem dinheiro a taxas melhores – o que pode, por sua vez, beneficiar as taxas de empréstimos cá dentro. É um ciclo virtuoso: boas contas -> melhor rating -> juros mais baixos -> novamente alívio nas contas.
Além disso, este duplo upgrade pelas duas agências mostra que, apesar de alguma incerteza global, Portugal é visto como um destino relativamente seguro para investimento. Até o ministro das Finanças celebrou, dizendo que é um reconhecimento dos esforços para garantir crescimento econômico com contas equilibradas.
Claro, não podemos dormir à sombra da bananeira. Manter um rating alto exige continuar a reduzir a dívida pública (que ainda está acima de 90% do PIB) e resistir à tentação de descontrolar a despesa agora que as coisas estão melhores. Mas, por agora, a confiança está do nosso lado – e isso são ótimas notícias.
Veja também: Dívida pública: trajetória e credibilidade do país
Rendimento e habitação em debate
Nesta semana também se falaram de impostos e habitação, ainda que sem decisões finais. Sinais vindos do Governo indicam a continuidade das medidas de alívio fiscal no IRS e no IRC para o próximo ano – ou seja, espera-se que o Orçamento 2026 prolongue os cortes de IRS para os contribuintes (sobretudo classe média) e consolide a descida da taxa de IRC para as empresas.
Estas medidas já estavam em curso e devem manter-se, reforçando o rendimento líquido das famílias e a competitividade fiscal das empresas em 2026.
Quanto à Habitação, o tema voltou ao espaço público com discussões acesas. Continuam em consulta e debate algumas medidas de apoio à habitação (como incentivos ao arrendamento acessível, limites a aumentos de renda e programas de construção), mas por enquanto nada de concreto foi aprovado nesta semana.
O certo é que a habitação será um dos focos do Orçamento 2026: o Governo já deixou no ar que pretende reforçar políticas para facilitar o acesso à casa, seja via benefícios fiscais, subsídios ou projetos de habitação pública.
Detalhes específicos só serão conhecidos a 10 de outubro, quando a proposta do OE2026 for finalmente apresentada na Assembleia da República e todos puderem ver o pacote completo.
Entretanto, no mercado imobiliário, os preços e as rendas continuam altos, mas com sinais de estabilização. A expectativa de muitos jovens casais e famílias é que as medidas do Governo – como o programa Mais Habitação – pelo menos não prejudiquem (como alguns temem), e idealmente venham a dar algum alívio, seja travando a escalada de preços ou aumentando a oferta de casas.
Será um tema para acompanharmos de perto nos próximos capítulos.
Em suma, a semana trouxe um pouco de tudo: boas notícias nas contas públicas, crescimento econômico moderado mas sustentado, emprego em alta, preços sob controlo e um ambiente de confiança reforçada pelos ratings. Se 2024 foi o ano de sair da crise, 2025 está a revelar-se (até agora) o ano de consolidação e equilíbrio – algo que, convenhamos, já merecíamos.
Veja também: Custos do crédito habitação: tudo o que pesa na prestação
De olho na próxima semana
Alguns assuntos importantes a acompanhar nos próximos dias:
Inflação de setembro
Vamos conhecer a estimativa rápida da inflação da zona euro nos próximos dias, seguida logo depois pelos dados nacionais de setembro. Esses números serão cruciais, pois podem influenciar as taxas Euribor (indexantes do crédito habitação) e, por tabela, o custo dos empréstimos. Uma surpresa na inflação poderá reavivar discussões sobre a política de juros do BCE.
Fica a expectativa: será que a inflação continuará a descer rumo aos 2% ou vai haver algum solavanco? Estaremos atentos aos comunicados do Eurostat e do INE.
Orçamento 2026 em preparação
Com a entrega do OE2026 iminente, devem surgir documentos preparatórios e quiçá alguns teasers do Governo sobre o que aí vem. Em particular, é provável ouvirmos falar de alterações no IRS/IRC, atualização do salário mínimo (o objetivo já anunciado é chegar a 920 € mensais em 2026) e possíveis novas medidas de apoio em áreas sensíveis como habitação e saúde.
Qualquer fuga de informação ou declaração de ministros poderá dar pistas do tom do Orçamento – se será mais expansionista ou mais prudente.
Preços dos combustíveis
Continuaremos de olho no boletim semanal da ENSE (Entidade Nacional para o Setor Energético) para confirmar se a trajetória atual dos combustíveis se mantém. A ENSE divulga relatórios todas as semanas, e interessará ver se a tendência de estabilidade (com pequenas variações) persiste ou se há algum choque vindo do mercado internacional de petróleo.
Até agora, a coisa está calma; vamos torcer para que continue assim, pois isso ajuda a manter a inflação em baixa.
Veja também: Como pagar o IRS: prazos e métodos
Perguntas frequentes
Não automaticamente. Ter as contas públicas no azul ajuda a baixar os custos de financiamento do Estado (juros da dívida mais baixos) e melhora a confiança dos mercados. Mas decisões sobre impostos dependem da política do Governo e serão discutidas no OE2026.
Ou seja, esse excedente abre espaço para eventuais alívios fiscais, mas não garante que aconteçam de imediato – só saberemos quando o Orçamento for apresentado e aprovado.
Ao que tudo indica, não muito. Para a semana de 29/09 a 05/10, a previsão é de +0,5 cêntimos no gasóleo e -1 cêntimo na gasolina. Ou seja, na prática a gasolina comum pode até descer um nadinha e o gasóleo subir um pouco – variações mínimas.
Convém confirmar os preços oficiais na segunda-feira quando atualizarem nas bombas, mas não se esperam mudanças grandes. Em resumo, sem grandes oscilações: os combustíveis continuam próximos dos valores atuais.
Sim, está a crescer, embora de forma moderada. No 2.º trimestre deste ano, o PIB aumentou +0,6% face ao trimestre anterior e +1,9% em termos anuais. Portanto, não estamos em recessão – pelo contrário, há crescimento, mas num ritmo calmo (longe dos “boom” de outros tempos).
Essa subida de ~1,9% anual mostra que a economia recuperou um pouco de velocidade em relação ao início do ano. Não é um crescimento exuberante, mas é sólido e foi suficiente para reduzir o desemprego e melhorar as contas públicas, como vimos.
Com certeza. A taxa de desemprego caiu para 5,9% no 2.º trimestre, o que é dos valores mais baixos de que há memória. Isso reflete mais pessoas empregadas – houve criação de empregos, especialmente em setores de serviços e turismo, mas também alguma recuperação na indústria.
Comparando com o início do ano, há menos 0,7 pontos percentuais de desempregados, o que significa milhares de portugueses que encontraram trabalho nos últimos meses. Portanto, o mercado laboral está mais forte, algo que beneficia tanto a economia (mais produção, mais consumo) quanto as famílias (mais rendimento e segurança).
Esperamos que este resumo lhe tenha sido útil. Foi uma semana relativamente positiva para a economia portuguesa, com equilíbrio nas contas, crescimento controlado e sinais de melhorias sociais (emprego, salários).
Continuaremos a acompanhar de perto os próximos desenvolvimentos – afinal, a economia afeta o nosso dia a dia, do preço do pão aos juros da casa.
Até à próxima semana, mantenha-se informado e cuide do seu bolso!
Fontes:
- https://eco.sapo.pt/2025/08/06/taxa-de-desemprego-recua-para-59-no-segundo-trimestre/
- https://www.gee.gov.pt/pt/indicadores-diarios/ultimos-indicadores/34536-estatisticas-do-emprego-ine-16
- https://eco.sapo.pt/2025/09/23/estado-com-excedente-orcamental-de-19-no-segundo-trimestre/
- https://eco.sapo.pt/2025/08/29/taxa-de-inflacao-homologa-acelera-para-28-em-agosto/
- https://eco.sapo.pt/2025/09/23/excedente-pib-divida-publica-e-carga-fiscal-guia-para-nao-se-perder-na-chuva-de-numeros/
- https://rhmagazine.pt/taxa-de-desemprego-encolhe-para-59-no-2-o-trimestre-do-ano
- https://www.rtp.pt/noticias/economia/taxa-de-desemprego-baixa-para-niveis-de-ha-tres-anos_v1674640
- https://www.rtp.pt/noticias/economia/desemprego-recua-para-59-no-2o-trimestre_n1674509
🔎 Ver notícia da semana anterior (23 a 29 de setembro de 2025)
Notícias sobre economia semana (23–29 setembro 2025)
Resumo em 30 segundos: Portugal fechou a semana com saldo orçamental de 1% do PIB no 1.º semestre, calendário do OE2026 fechado (debate 27–28 de outubro; votação final 27 de novembro), PIB do 2.º trimestre confirmado a +0,6% t/t e +1,9% a/a, desemprego do 2.º trimestre em 5,9%, e combustíveis com previsão de gasóleo +0,5 cênt. e gasolina -1 cênt. para a semana que entra.
No plano externo, o rating de Portugal mantém-se em alta após as subidas de S&P (A+) e Fitch (A) no último mês.
Resumo das principais notícias de economia em Portugal: o que muda para a sua carteira
1) Contas públicas e Orçamento do Estado 2026
- O excedente orçamental atingiu 1% do PIB na primeira metade do ano (óptica de contabilidade nacional). O Ministério das Finanças e a imprensa confirmaram o dado, alinhado com a meta oficial de excedente de 0,3% para 2025. Para 2024, o INE reviu o crescimento para 2,1% e a dívida em 93,6% do PIB. ECO
- O calendário do OE2026 está fechado: entrega até 10 de outubro, debate na generalidade a 27–28 de outubro e votação final a 27 de novembro. A proposta deverá prolongar a descida do IRS, consolidar a descida do IRC (para 19% em 2026) e manter saldo positivo (ainda que o CFP aponte risco de défice em 2026). SIC Notícias
- Para a Função Pública, o Governo propôs estender o aumento anual de 60,52 € até 2029, o que tem impacto na massa salarial e na despesa corrente do Estado. SIC Notícias
Porque interessa à sua carteira: excedentes e rating mais alto tendem a baixar o custo de financiamento do Estado e das empresas — bom para spreads, investimento e poupança no médio prazo.
2) Crescimento económico: o que dizem os números
- O PIB do 2.º trimestre de 2025 foi confirmado pelo INE em +0,6% trimestral e +1,9% homólogo. Consumo e exportações voltaram a contribuir, após um 1.º trimestre mais fraco. SIC Notícias
- As projeções mais recentes do Banco de Portugal (junho) apontam PIB 2025: 1,6%–2,2% (cenário central 2,2%) e IHPC ~1,9% — referência útil até às novas projeções de outono. bportugal.pt
3) Mercado de trabalho
- No 2.º trimestre, a taxa de desemprego ficou em 5,9%, recuando 0,7 p.p. face ao trimestre anterior, com redução do número de desempregados e aumento do emprego. gee.gov.pt
4) Inflação e preços
- A inflação (IPC) de agosto ficou em 2,8% a/a; setembro será conhecido no início de outubro. A indústria registou -4,3% nos preços à produção (ago). ine.pt
- Combustíveis para a semana 29 set–5 out: previsões indicam gasóleo +0,5 cênt./l e gasolina -1 cênt./l (médias DGEG como referência). acp.pt
Impacto no dia a dia: inflação moderada e combustíveis relativamente estáveis ajudam a preservar rendimento disponível e a gerir melhor despesas fixas (ex.: deslocações).
“Por exemplo, para um crédito de 200.000 €, a subida de 0,25 pp na Euribor pode traduzir-se num acréscimo de ~ 24 €/mês (cerca de 288 €/ano) — uma diferença real no orçamento familiar.”
5) Ratings e confiança dos investidores
- Em 29 de agosto, a S&P subiu Portugal para A+ (estável); a Fitch seguiu a 12 de setembro, para A (estável) — citando força orçamental e desalavancagem externa. Melhor rating costuma significar juros mais baixos para Estado e empresas. Reuters
6) Habitação e rendimento
- Além do calendário orçamental, a semana trouxe sinais de continuidade nas medidas de IRS/IRC e discussão pública sobre habitação. Detalhes finos serão conhecidos com a entrega do OE2026 a 10 de outubro. SIC Notícias
Tabela-resumo dos principais indicadores
| Indicador | Último dado | Sinal | Fonte |
|---|---|---|---|
| PIB (2T25) | +0,6% t/t; +1,9% a/a | ▲ | SIC Notícias |
| Saldo orçamental (1.º semestre) | 1% do PIB | ▲ | ECO |
| Inflação (IPC, ago/25) | 2,8% a/a | ➙ | ine.pt |
| Desemprego (2T25) | 5,9% | ▼ | gee.gov.pt |
| Combustíveis (29 set–5 out) | Gasóleo +0,5 cênt.; Gasolina -1 cênt. | ➙ | acp.pt |
| Rating soberano | S&P: A+; Fitch: A | ▲ | Reuters |
| OE2026 (calendário) | Debate 27–28/10; Votação 27/11 | — | SIC Notícias |
Legenda: ▲ positivo | ▼ negativo | ➙ estável
O que observar na próxima semana
- Estimativa rápida da inflação de setembro (zona euro) e dados nacionais a seguir — impacto nas taxas Euribor e no custo do crédito. expresso.pt
- Documentos preparatórios do OE2026 e eventuais teasers do Governo sobre IRS/IRC e salário mínimo (meta 920 € em 2026). SIC Notícias
- Relatórios semanais da ENSE para confirmar a trajetória dos combustíveis. ense-epe.pt
Perguntas frequentes
Não automaticamente. Ajuda a baixar o custo de financiamento; decisões fiscais vêm no OE2026.
Para 29/09–05/10, previsão de gasóleo +0,5 cênt. e gasolina -1 cênt.; confirme na segunda-feira.
Sim, +0,6% no 2.º trimestre e +1,9% a/a. É um ritmo moderado.
Desemprego a 5,9% (2T25), melhor face ao 1.º trimestre.
