A CGD Tem Boas Notícias Para O Seu Crédito Habitação

Olá é da CGD, quer poupar 118€ no seu crédito habitação?”, ou “Bom dia, a CGD tem boas notícias para o seu crédito habitação’”, é desta forma que alguns clientes da Caixa Geral de Depósitos têm sido ultimamente contactados. A proposta aparenta ser benéfica para os clientes, já que supostamente oferece melhores condições para o seu crédito à habitação CGD, mas será que é realmente assim?

A CGD resolveu contatar telefonicamente diversos clientes, propondo a alteração das condições associadas aos seus créditos. As boas intenções do banco estatal eram desde logo adocicadas pela frase introdutória, mas certamente que os clientes mais informados sobre produtos financeiros e sobre a realidade da banca estranharam de imediato a boa vontade da CGD.

O que parece desde logo evidente é que qualquer cliente que não fosse relativamente informado poderia desde logo ter aceitado a proposta de alteração do seu crédito habitação CGD, o que como vamos ver seria um grande erro.

Apesar das aparentes boas intenções deste banco, a oferta em cima da mesa não irá resultar na redução do custo do crédito ao cliente, mas sim no substancial aumento do seu custo para o cliente.

Prometendo a descida do valor a pagar mensalmente, a CGD está na verdade a propor que o crédito se prolongue no tempo, mas acima de tudo aumentar o spread. Há alguns anos atrás, no esforço para cativar clientes, a CGD ofereceu spreads incrivelmente baixos – em muitos casos inferiores a 0,5% – e tenta agora, de forma camuflada e eticamente questionável alterar esse valor para algo como 2,0%, com o objetivo de voltar os lucros.

A Guerra Contra os Spreads Baixos

Apesar de ter começado este texto com a descrição do que se tem passado relativamente ao crédito habitação da CGD, não pense que esta realidade apenas acontece com este banco. Muitos outros bancos estão a aplicar estratégias semelhantes com o objetivo de se livrarem de créditos antigos que têm spreads baixos.

Neste caso específico da Caixa Geral de Depósitos não podemos deixar de questionar a legitimidade de um estratégia que aparenta sustentar-se no desconhecimento dos clientes e na adoção de uma postura comercial bastante agressiva.

Mas nem tudo é negativo nesta autêntica guerra contra os spreads baixos. Outros bancos, como o Deutsche Bank também estão a contactar os seus clientes com o mesmo objetivo, porém adotam uma estratégia bastante mais saudável e ética.

Os clientes do Deutsche Bank são colocados a par da situação e recebem uma proposta que lhes permite contratar um novo crédito, o qual tem associado um spread competitivo (mas que claro, ainda assim é superior ao spread atual). A grande diferença é que o Deutsche Bank clarifica desde logo todos os aspetos numa proposta escrita que é entregue logo no primeiro contacto.

A Possível Intervenção do Banco de Portugal

A imprensa tem dado conta de que diversos relatos da situação que envolve a CGD já terão sido encaminhados para o Banco de Portugal, já que existem dúvidas relativamente à legitimidade de algumas das práticas relatadas.

Toda esta situação assume contornos ainda mais graves, se tivermos em conta que além de ser o banco estatal, a Caixa Geral de Depósitos é a grande referência do setor bancário em Portugal.

Este é apenas mais um episódio que vem contribuir para enfraquecer ainda mais a imagem que a população portuguesa tem do setor bancário e que resulta principalmente da queda do BES.

Ainda que sendo casos diferentes, faz-nos de certa forma lembrar o episódio do senhor de 72 anos, reformado e analfabeto que se dirigiu a uma agência bancária para realizar um depósito e que acabou por sair do banco com um produto financeiro complexo com rentabilidade variável (dependendo de um fundo de investimento em ações e da Euribor).

Face a todos estes casos, parece evidente que o sistema bancário nacional precisa, de forma urgente, de um Banco de Portugal mais interventivo e vigilante.

Veja A Nossa Sugestão

Sobre o autor: Ricardo Rodrigues

CEO e Fundador da RRNValores Unipessoal, Lda, Ricardo Rodrigues gere uma equipa formada por consultores, criadores de conteúdos e programadores que desenvolvem e mantêm uma plataforma gratuita com informação e comparação de produtos bancários.Formado em Engenharia Civil pelo Instituto Superior de Engenharia de Lisboa (ISEL) e apaixonado pela área Financeira, criou o nvalores.pt em Agosto de 2013 com a missão de garantir uma comparação independente de produtos bancários em Portugal.Exerceu funções de consultor financeiro independente na Empresa Maxfinance, nomeadamente assessoria na obtenção de crédito pessoal, crédito consolidado, crédito automóvel, cartões de crédito, crédito hipotecário, leasing, seguros e aplicações financeiras. Email: geral@nvalores.pt