A CGD tem boas notícias para o seu crédito habitação

A CGD Tem Boas Notícias Para O Seu Crédito Habitação

By | 2017-05-19T01:32:46+01:00 08/09/2015|Categories: Banca|

Olá é da CGD, quer poupar 118€ no seu crédito habitação?”, ou “Bom dia, a CGD tem boas notícias para o seu crédito habitação’”, é desta forma que alguns clientes da Caixa Geral de Depósitos têm sido ultimamente contactados. A proposta aparenta ser benéfica para os clientes, já que supostamente oferece melhores condições para o seu crédito à habitação CGD, mas será que é realmente assim?

A CGD resolveu contatar telefonicamente diversos clientes, propondo a alteração das condições associadas aos seus créditos. As boas intenções do banco estatal eram desde logo adocicadas pela frase introdutória, mas certamente que os clientes mais informados sobre produtos financeiros e sobre a realidade da banca estranharam de imediato a boa vontade da CGD.

O que parece desde logo evidente é que qualquer cliente que não fosse relativamente informado poderia desde logo ter aceitado a proposta de alteração do seu crédito habitação CGD, o que como vamos ver seria um grande erro.

Apesar das aparentes boas intenções deste banco, a oferta em cima da mesa não irá resultar na redução do custo do crédito ao cliente, mas sim no substancial aumento do seu custo para o cliente.

Prometendo a descida do valor a pagar mensalmente, a CGD está na verdade a propor que o crédito se prolongue no tempo, mas acima de tudo aumentar o spread. Há alguns anos atrás, no esforço para cativar clientes, a CGD ofereceu spreads incrivelmente baixos – em muitos casos inferiores a 0,5% – e tenta agora, de forma camuflada e eticamente questionável alterar esse valor para algo como 2,0%, com o objetivo de voltar os lucros.

A Guerra Contra os Spreads Baixos

Apesar de ter começado este texto com a descrição do que se tem passado relativamente ao crédito habitação da CGD, não pense que esta realidade apenas acontece com este banco. Muitos outros bancos estão a aplicar estratégias semelhantes com o objetivo de se livrarem de créditos antigos que têm spreads baixos.

Neste caso específico da Caixa Geral de Depósitos não podemos deixar de questionar a legitimidade de um estratégia que aparenta sustentar-se no desconhecimento dos clientes e na adoção de uma postura comercial bastante agressiva.

Mas nem tudo é negativo nesta autêntica guerra contra os spreads baixos. Outros bancos, como o Deutsche Bank também estão a contactar os seus clientes com o mesmo objetivo, porém adotam uma estratégia bastante mais saudável e ética.

Os clientes do Deutsche Bank são colocados a par da situação e recebem uma proposta que lhes permite contratar um novo crédito, o qual tem associado um spread competitivo (mas que claro, ainda assim é superior ao spread atual). A grande diferença é que o Deutsche Bank clarifica desde logo todos os aspetos numa proposta escrita que é entregue logo no primeiro contacto.

A Possível Intervenção do Banco de Portugal

A imprensa tem dado conta de que diversos relatos da situação que envolve a CGD já terão sido encaminhados para o Banco de Portugal, já que existem dúvidas relativamente à legitimidade de algumas das práticas relatadas.

Toda esta situação assume contornos ainda mais graves, se tivermos em conta que além de ser o banco estatal, a Caixa Geral de Depósitos é a grande referência do setor bancário em Portugal.

Este é apenas mais um episódio que vem contribuir para enfraquecer ainda mais a imagem que a população portuguesa tem do setor bancário e que resulta principalmente da queda do BES.

Ainda que sendo casos diferentes, faz-nos de certa forma lembrar o episódio do senhor de 72 anos, reformado e analfabeto que se dirigiu a uma agência bancária para realizar um depósito e que acabou por sair do banco com um produto financeiro complexo com rentabilidade variável (dependendo de um fundo de investimento em ações e da Euribor).

Face a todos estes casos, parece evidente que o sistema bancário nacional precisa, de forma urgente, de um Banco de Portugal mais interventivo e vigilante.

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By | 2017-05-19T01:32:46+01:00 08/09/2015|Categories: Banca|

About the Author:

Formado em Engenharia e apaixonado pela área Financeira, Ricardo Rodrigues criou a NValores em Agosto de 2013 com a missão de melhorar a literacia financeira dos Portugueses. Exerceu funções profissionais inerentes à categoria de Consultor Financeiro na Empresa Maxfinance, nomeadamente assessoria na obtenção de crédito pessoal, crédito consolidado, crédito automóvel, cartões de crédito, crédito hipotecário, leasing, seguros e aplicações financeiras. Desde de 2013 com funções profissionais inerentes à categoria de CEO na RRNValores Unipessoal, Lda, especificamente, gere uma equipa formada por consultores, marketing de conteúdos e programadores que criam, desenvolvem e mantêm uma plataforma com informação e comparação de produtos financeiros gratuita para todos os utilizadores. Email: geral@nvalores.pt

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