Mercado de energia em Portugal

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De acordo com dados compilados e apresentados pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), o mercado de energia em Portugal tinha, em Abril deste ano, 2,7 milhões de clientes no mercado liberalizado. O que significa que cerca de 77% do consumo já se encontra neste mercado.

Como curiosidade, refira-se que o mercado de energia em Portugal é atualmente controlado por 6 empresas: EDP, Galp, Endesa, Fortia, Iberdrola e GN Fenosa.

Contudo, é importante realçar a posição absolutamente dominante por parte da EDP Comercial, que continua a ser o operador do mercado livre com maior relevo.

A EDP Comercial tem hoje aproximadamente 86% do número de total de clientes. No que diz respeito ao total de consumos, a posição desta empresa deixa de ser tão esmagadora, mas continua a ser a mais relevante: 46% do fornecimento.

Além disso, importa referir que a EDP continua a deter o controlo absoluto sobre o mercado regulado de eletricidade através da sua EDP Serviço Universal.

Esta realidade reflete-se também no mercado nacional de gás natural, que continua a ser dominado pela GALP. Em março do presente ano, a GALP controlava cerca de 65% do mercado. Em segundo lugar seguia-se a espanhola Gás Natural Fenosa com 17% de quota e em terceiro a EDP com 10%.

Os Elevados Preços do Mercado de Energia em Portugal

De acordo com os dados do Eurostat relativos ao mercado energético na Europa. Portugal é um dos países onde a energia é mais cara, quando quantificada através da paridade do poder de compra (ppp).

No segundo semestre de 2013, Portugal foi o país com o segundo preço mais elevado no gás e com o terceiro mais elevado na eletricidade.

No que diz respeito à eletricidade, o Eurostat indica que o custo médio para cada família portuguesa foi de 26,2 euros (ppp) por 100 kWh, impostos incluídos. Preços mais elevados apenas na Alemanha (28,1 euros) e Chipre (28,2 euros).

O Eurostat realça o impacto da subida de impostos no mercado de energia em Portugal, como uma das causas pelo custo acima da média. Note-se que no nosso país, o IVA aplicado sobre a energia subiu em 2011, passando de 6 para 23%.

Esta análise comparativa demonstrou que em Portugal, 41,7% do preço final correspondia a taxas e impostos. O preço propriamente dito da energia tinha um peso de 34% no seu custo final, enquanto o impacto da utilização da rede representava 24% do custo.

Já no que diz respeito ao gás, o preço de 0,072 euros por kWh foi agravado pelas taxas e impostos, subindo assim para 0,093 euros. Isto significa que os impostos e taxas têm um peso de 22,5% no preço final do gás.

No comparativo ajustado ao poder de compra, cada agregado familiar português paga em média 11,5 euros por cada 100 kWh. Apenas na Bulgária, o custo do gás é ligeiramente mais elevado (11,6 euros).

Estes dados mostram que as avaliações da troika relativamente ao mercado de energia em Portugal eram extremamente pertinentes. Relembre-se que a troika apontou para os preços de eletricidade como um dos principais entraves à competitividade e ao crescimento económico do país.

Sobre o autor: Ricardo Rodrigues

CEO e Fundador da RRNValores Unipessoal, Lda, Ricardo Rodrigues gere uma equipa formada por consultores, criadores de conteúdos e programadores que desenvolvem e mantêm uma plataforma gratuita com informação e comparação de produtos bancários. Formado em Engenharia Civil pelo Instituto Superior de Engenharia de Lisboa (ISEL) e apaixonado pela área Financeira, criou o nvalores.pt em Agosto de 2013 com a missão de garantir uma comparação independente de produtos bancários em Portugal. Exerceu funções de consultor financeiro independente na Empresa Maxfinance, nomeadamente assessoria na obtenção de crédito pessoal, crédito consolidado, crédito automóvel, cartões de crédito, crédito hipotecário, leasing, seguros e aplicações financeiras. Email: geral@nvalores.pt