Empréstimo habitação desce 1,5% e crédito ao consumo desce 2,7% - NValores

Empréstimo habitação desce 1,5% e crédito ao consumo desce 2,7%

By | 2018-03-02T08:02:08+00:00 02/03/2018|Categories: Crédito à Habitação|

Cada vez mais se fala da facilidade de obtenção de um financiamento para a aquisição de uma casa nova – vulgo crédito habitação.

Contudo, a verdade é que no ponto de vista dos bancos, não é assim tão simples obter o tão almejado empréstimo habitação para a compra da sua casa.

De acordo com os dados revelados pelo Banco de Portugal no final de fevereiro, os empréstimos concedidos a particulares para comprar casa em janeiro, caíram 1,5%, ficando fixados nos 98,501 mil milhões de euros.

Mas, não foram apenas os empréstimos habitação que caíram.

De forma generalizada, tanto o crédito ao consumo para particulares como os créditos concedidos a sociedades não financeiras caíram 2,7%.

As taxas de variação anual relativamente a estes dois pontos (relação entre saldos em fim de mês e transações mensais) já haviam sido negativas em dezembro. Sendo que se está a tornar uma tendência a descida dos valores concedidos pelos bancos.

Veja também: Como convencer o meu banco na hora de pedir crédito

Porque é que estão os empréstimos a cair?

Embora a economia já se encontre um pouco mais estabilizada, a verdade é que no caso do crédito habitação os bancos voltaram a ser cautelosos no seu empréstimo, uma vez que Portugal poderá estar novamente a caminhar para uma “bolha imobiliária” (embora os especialistas indiquem que não se trata efetivamente desse caso).

Ou seja, embora a mesma não seja da exclusividade da facilidade dos bancos ao concederem empréstimos, a verdade é que a internacionalização do mercado imobiliário das grandes cidades, a explosão do alojamento local, a dificuldade no arrendamento devido aos preços exorbitantes que são praticados ou a canalização de poupanças para esta área, estão a fazer com que cada vez mais pessoas queiram comprar casa.

Mas, se as famílias começam todas a querer comprar casa, os bancos têm efetivamente de selecionar de forma coerente a quem é que vão emprestar o dinheiro, sob pena de se verem a par novamente com inúmeras casas penhoradas pois as famílias não têm como as pagar.

Além disso, os preços das casas estão novamente a aumentar, não devido à tão falada bolha imobiliária, mas que se trata de um ajuste nos preços, que desceram vertiginosamente no período de crise profunda económica e financeira vivida entre 2010 e 2014 e que, agora, estão a recuperar.

É ainda importante frisar que o crédito mal parado é também um forte indicador de que os bancos têm de selecionar melhor as pessoas a quem emprestam dinheiro (atualmente no setor familiar, o mesmo encontra-se nos 4,2% mantendo-se inalterado relativamente ao mês transato).

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Não é só o empréstimo habitação que irá cair

No entanto, é importante frisar que não é apenas o empréstimo habitação a cair, o próprio crédito ao consumo irá seguir essa tendência, pois as entidades financeiras começam cada vez mais a selecionar bem as pessoas a quem concedem um crédito.

Embora à primeira vista possa parecer algo desmedido, a verdade é que esta preocupação dos bancos, é também importante para o consumidor, pois evita que a médio prazo se verifique novamente a situação de crise financeira que assolou Portugal há bem pouco tempo, e onde milhares de famílias viram ordenados penhorados, casas perdidas e processos de insolvência como já não se via há muito tempo.

Como vê, é importante esta descida do empréstimo habitação e do crédito ao consumo, pois mostra que os bancos estão a ter cuidados redobrados para não entrarem novamente na bancarrota.

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By | 2018-03-02T08:02:08+00:00 02/03/2018|Categories: Crédito à Habitação|

About the Author:

Ricardo Rodrigues é consultor financeiro independente e presta serviços de consultoria financeira em crédito pessoal, crédito consolidado e crédito habitação. Email: geral@nvalores.pt