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Despedimentos em massa na Banca em Portugal

Despedimentos em massa na Banca em Portugal

Todos sabemos que Portugal passou por uma fase económica bastante instável. Contudo, além do setor da construção civil, a área da banca foi a mais afetada com dezenas de balcões a serem encerrados e milhares de pessoas a ficarem sem os seus empregos.

Contudo, este problema não afeta só Portugal, dado que de acordo com dados do Banco Central Europeu, em 2015 fecharam mais de 15.000 agências de bancos em toda a Europa, levando ao desemprego mais de 24.000 pessoas.

Redução de trabalhadores na Banca em Portugal

De acordo com várias análises, a verdade é que os bancos estão cada vez mais a adotar a estratégia da extinção do posto de trabalho como forma de despedimento (sendo que são inúmeras as vezes em que, se querem despedir determinado trabalhador, realocam-no em agências que já sabem de antemão que vão ser extintas).

Entre 2011 e 2015, só em Portugal fecharam 1388 agências e mais de 7.000 trabalhadores ficaram no desemprego (estima-se que mais de 12.000 pessoas ficaram no desemprego devido à redução de trabalhadores na banca nos últimos 8 anos).

A verdade é que, de forma a que se conseguisse perceber melhor o motivo que levou a tantos despedimentos na banca, foram realizados dezenas de inquéritos a várias instituições bancárias e a resposta unânime acabou por ser que os mesmos foram uma medida urgente, tomada em última instância para conseguirem reduzir os custos.

No entanto, essa redução de custos, como os próprios bancos lhe chamam, implicam uma mudança drástica e significativa na vida de milhares de pessoas (são muitos os trabalhadores do setor bancário que auferiam ordenados de 2.000€ e que, atualmente, ganham pouco mais do que o ordenado mínimo nacional).

Mas, pior do que o despedimento coletivo, é o fato de muitos bancos, poucos meses depois de o fazerem contratarem novos funcionários, que auferem mensalmente ordenados muito idênticos aos que haviam sido colocados de lado, por serem um custo desnecessário para a empresa.

Em 2021, ao que tudo indica, os processos de despedimento devem atingir um novo pico desde a última crise.

Os principais bancos em operação estão a passar por um processo de reestruturação, que implica a saída de milhares de trabalhadores.

Os bancos BCP e Santander Totta têm os processos mais ‘agressivos’, com despedimentos coletivos.

O que é que o Sindicato Nacional dos Quadros e Técnicos Bancários fez?

Com a situação a agravar-se, o MAIS, o SBC (Sindicato dos Bancários do Centro) e o SBN (Sindicato dos Bancários do Norte) entregaram no dia 30 de setembro, nos tribunais de Trabalho de Lisboa e do Porto, uma providência cautelar contra os despedimentos coletivos no Banco Santander Totta e no BCP.

Ambas as entidades bancárias avançaram para despedimentos coletivos de dezenas de trabalhadores.

A medida foi tomada após os planos de saídas por mútuo acordo e reforma antecipada terem ficado aquém dos objetivos.

No caso do Santander, os despedimentos devem afetar em média duzentas pessoas, enquanto o despedimento coletivo no BCP deverá afetar mais de 60.

Os sindicatos, por sua vez, questionam a forma como os bancos estão a proceder com os processos, com ameaças aos trabalhadores o que se “traduz numa pressão inadmissível e põe em causa a sua boa-fé negocial”.

Os movimentos de greve

Com a confirmação dos processos de despedimento coletivo, os sindicatos organizaram-se para a realização de greves.

A última vez que Portugal presenciou estas ações de luta foi há 33 anos, quando aconteceu a última greve nacional dos trabalhadores bancários.

À época, as reivindicações incluíam o requerimento por melhores salários e recusa da integração no regime geral da Segurança Social.

Atualmente, esta situação acaba por se tornar insustentável para milhares de pessoas que trabalham nesta área e que não sabem quando é que podem, de um dia para o outro, ficar desempregadas.

Autor: Ricardo Rodrigues

 

CEO e Fundador da RRNValores Unipessoal, Lda, Ricardo Rodrigues gere uma equipa formada por consultores, criadores de conteúdos e programadores que desenvolvem e mantêm uma plataforma gratuita com informação e comparação de produtos bancários.

Formado em Engenharia Civil pelo Instituto Superior de Engenharia de Lisboa (ISEL) e apaixonado pela área Financeira, criou o nvalores.pt em Agosto de 2013 com a missão de garantir uma comparação independente de produtos bancários em Portugal.

Exerceu funções de consultor financeiro independente na Empresa Maxfinance, nomeadamente assessoria na obtenção de crédito pessoal, crédito consolidado, crédito automóvel, cartões de crédito, crédito hipotecário, leasing, seguros e aplicações financeiras.

Email: geral@nvalores.pt

2 comentários em “Despedimentos em massa na Banca em Portugal”

  1. Trabalho interessante. Na lista de bancos que despediram em massa em 2015 falta pelo menos mencionar 1 que despediu cerca de 200. Mas o mais interessante seria fazer o estudo de todos esses bancários que já ultrapassaram os 55 anos por ex., e que muito dificilmente voltarão ao activo, do problema GRAVE de autêntico escândalo que existe com os cálculos para a reforma, com o novo acordo feito em 2016 entre banca e sindicatos que permite que os Fundos de Pensões seja reduzidos para metade ou mais. Muitos dos despedidos ainda não se aperceberam disto e nem acreditam que tal possa acontecer.

  2. Caro Ricardo Rodrigues,
    Gostei imenso do seu artigo.

    Estou neste momento a elaborar projeto final de licenciatura c/ a temática “Outplacement na Banca Portuguesa” e apesar do networking nesta área, constato a dificuldade enorme em obter dados estatísticos de fonte fidedigna sobre o nº de despedimentos/rescições desde 2010 p/ inclui no meu trabalho. Porventura, teria possibilidade de me informar alguma fonte neste sentido?

    Grata pela sua atenção

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