Vale a pena pedir um crédito pessoal para casar?

Vale a pena pedir um crédito pessoal para casar?

By | 2019-01-23T19:14:48+00:00 28/07/2016|Categories: Crédito Pessoal|
Crédito para casar

As mulheres crescem a sonhar com o príncipe encantado e com um casamento de princesa!

No entanto quando chega a altura de casar, as coisas podem não ser tão simples como sonhámos!

Os custos associados a um casamento podem ascender a valores astronómicos (como poderá ver no exemplo que daremos mais à frente), daí as pessoas começarem a juntar dinheiro para este momento desde muito cedo.

No entanto, muitos casais não pensam nesta situação com muita antecedência, e acabam por pedir um crédito pessoal para casamentos.

Mas será que vale a pena pedir esse tipo de crédito?

O NValores resolveu fazer uma pesquisa sobre este tema, que irá surpreende-lo.

1 – Crédito pessoal para casamentos – Será que compensa?

Como todos sabemos, casar não é propriamente algo que saia barato aos seus organizadores (sim, porque não ninguém casa á espera das prendas de casamento que vai receber).

Assim sendo, antes de analisar se vale a pena pedir um crédito pessoal para casamentos, vamos dar-lhe um exemplo prático dos custos base associados a um casamento.

1.1 – Quanto custa casar nos dias de hoje?

É certo e sabido que casar é caro, principalmente se o casal quiser ter um casamento tradicional na igreja (ou pelo civil) com direito a vestido, copo de água, noite de núpcias, fotógrafos, viagem num carro diferente, lua-de-mel…

Acontece muitas vezes os noivos pedirem um empréstimo e terem a ajuda dos pais para pagar este dia de sonho.

Desde o vestido de noiva e do noivo, aos serviços de catering, banda de música e animação, fotógrafos, anel de noivado, alianças… existem várias despesas que devem ser tidas em consideração no que toca ao planeamento e execução do casamento.

O menu e os convites variam consoante o número de pessoas que foram convidadas, sendo que habitualmente os noivos tendem a alargar o convite a toda a sua família, incluindo o primo que vive em França (e que faz questão de vir a Portugal festejar nesse dia).

Exemplo

A Filipa e o Miguel vão casar em Agosto de 2016, e vão ter 100 convidados no seu casamento.

Vamos indicar-lhe todos os custos que vão ter com a cerimónia.

Preparativos:

  • Anel de noivado – 700€
  • Convites – 250€
  • Vestido da noiva – 2000€
  • Fato do noivo – 1000€
  • Penteado e maquiagem – 250€
  • Florista/decoração do espaço – 500€
  • Fotógrafos – 1500€
  • Receção em casa – 200€

Cerimónia:

  • Catering e copo de água – 12.500€
  • Alianças – 800€
  • Transporte – 600€
  • Entretenimento – 1500€
  • Noite de núpcias – 250€
  • Lua de mel – 3000€

Total – 23.550€

Como é óbvio, existem nesta lista gastos que podem ser bastante mais reduzidos se pedir ajuda aos amigos, ou se fizer em conjunto com o seu par.

No entanto, um casal que delegue todas as tarefas a profissionais vai gastar cerca de 23.550€ para celebrar o dia mais feliz da sua vida juntamente com os amigos.

2 – Como funciona um crédito?

O crédito bancário (independentemente do tipo de crédito que está a contratar) é um produto financeiro que satisfaz as necessidades dos consumidores.

Para contratualizar um crédito, é importante que tenha noção de como é que o mesmo funciona.

É importante ter em conta que existem diversos fatores que condicionam a atribuição de um crédito (como o nome na lista do Banco de Portugal, ou historial de crédito negativo – pode ver aqui quais os riscos de não cumprir um crédito).

Todos os financiamentos, créditos ou empréstimos, têm várias componentes que são analisadas, antes de a entidade bancária decidir aprovar ou não o pedido.

As principais são:

2.1 – Finalidade

Todos os créditos têm uma finalidade (se não houvesse qual era o propósito de estar a solicitar um!), e os bancos não emprestam dinheiro sem saber qual a finalidade do mesmo (até porque as taxas de juros máximas dependem do tipo de crédito concedido).

Assim sendo, vai ter sempre de dar uma ideia ao banco de qual é o motivo pelo qual precisa de um crédito pessoal.

2.3 – Garantia

Para que o banco lhe empreste dinheiro, vai ser necessário uma garantia bancária (pode ser uma hipoteca, aval…). As garantias podem ser reais ou pessoais. 

As primeiras implicam bens, sejam eles imóveis ou transacionáveis como as penhoras de títulos financeiros, enquanto as segundas são as garantias não palpáveis, como exemplo temos: aval, fiança e consignação de rendimentos.

2.4 – Montante

Os bancos definem os montantes mínimos e máximos dos créditos que concedem de acordo com as finalidades dos mesmos.

No entanto o montante máximo pode ser influenciado pelo património e garantias que o cliente tem (no entanto este pode ser negociado com o banco).

2.5 – Prazo

Qualquer crédito tem de ser reembolsado, e o prazo no qual o vai devolver fica definido no início do contrato.

O prazo de pagamento vai depender do tipo de crédito (pois existem créditos com períodos de reembolso superiores a outros – por exemplo um crédito habitação pode ser reembolsado em 35 ou 40 anos, enquanto um crédito auto tem de ser reembolsado no máximo em 10 anos).

2.6 – Juro

Ao valor que pede emprestado, é sempre acrescida a taxa de juro (que pode ser fica ou variável, e cuja taxa de usura é aplicada de acordo com a finalidade do mesmo).

A formação das taxas de juro, é realizada através da indexação das taxas de referência, acrescidas de spread. Além das taxas, os bancos cobram também diversas comissões.

2.7 – Risco

A análise de crédito é concebida através do risco que o mesmo apresenta para a instituição.

Assim, depois desta análise e da verificação das garantias bancárias que um cliente pode oferecer, e da análise da sua relação bancária com o banco, é que o mesmo decide se vai ou não proceder ao empréstimo bancário.

Estes são os 6 fatores de funcionamento de um crédito (independentemente do tipo de crédito que estiver a contratar), sendo por isso bastante importante tê-los em conta quando estiver a pensar solicitar um crédito pessoal para casamentos.

3 – Posso pedir um crédito pessoal para fazer o casamento?

Como vimos anteriormente, a realização de um casamento pode chegar perto de 23.500€, e devem ser poucos os portugueses que com a conjuntura atual têm esse valor disponível para gastar (e mesmo que tenham, provavelmente não querem gastá-lo todo de uma vez).

Existem em Portugal diversos tipos de crédito, no entanto para financiar um casamento, a melhor opção passa por um crédito pessoal (que tem ainda a possibilidade de financiamento a longo prazo).

Mas será que vale a pena pedir um crédito pessoal para casamentos?

Se consegue pagar todas as suas contas ao final do mês e ainda lhe sobra algum dinheiro (em conjunto com a pessoa que quem se vai casar), poderá facilmente lidar com as responsabilidades que um crédito acarreta.

No entanto, é importante que tenha uma situação financeira estável e que inclua um historial de crédito positivo, emprego estável, nenhuma dívida e um fundo de emergência bem “recheado”, pois o não cumprimento do pagamento das prestações pode levar a consequências bastante más.

Se cumprir os 4 fatores que lhe indicámos anteriormente, então está bem posicionado para pagar um crédito pessoal para casamentos.

Além de que, desta forma é possível negociar melhor com as entidades o valor emprestado, os prazos de pagamento e as taxas de juro.

Ao pedir um crédito pessoal, o valor poderá ser no máximo 50.000€, no entanto é importante que na altura que solicitar o mesmo, já tenha realizado o orçamento correto do seu casamento, de forma a que possa solicitar junto da entidade bancária o mínimo possível (uma vez que quanto mais dinheiro pedir, maior será o prazo de pagamento e consequentemente o valor dos juros pagos).

Quando proceder à procura de uma entidade que lhe empreste dinheiro, o mais importante é ter em conta a TAEG (Taxa Anual Efetiva Global) e não a TAN (Taxa Anual Nominal), uma vez que a primeira é a taxa de juro total que vai pagar (incluindo todas as despesas de abertura e comissões).

Para além de examinar a TAEG e outras comissões, verifique se está isento de algumas taxas ou ofertas de adesão que amenizem a mensalidade que vai pagar.

4 – Quando não deve solicitar um crédito pessoal para casamentos?

Embora em alguns casos seja possível realizar esta escolha, existem situações em que o casal não deve solicitar junto de entidades bancárias um crédito pessoal para casamentos.

Por exemplo, se já tiver alguns créditos contratados, a probabilidade de lhe concederem o crédito será muito menor, uma vez que os bancos calculam a taxa de esforço que um novo crédito vai ter na sua vida (de forma a verificarem se vai ou não conseguir pagar todas as mensalidades).

Se este é o seu caso, a melhor hipótese é tentar solicitar uma consolidação de créditos, contendo assim uma mensalidade mais baixa e um prazo de pagamento maior.

Tenha em conta o seguinte caso: Simulação – Filipa e Miguel

A Filipa e o Miguel, querem casar e têm em conjunto um ordenado líquido de 2300€.

Atualmente têm os seguintes créditos:

  1. Crédito habitação – 600€
  2. Crédito automóvel – 300€
  3. Cartões de crédito – 600€

Se solicitarem 20.000€ de crédito pessoal para casamentos com um prazo de pagamento a 60 meses (5 anos), vão ficar a pagar mensalmente 350€ (com juros incluídos).

Se juntarmos todos os valores a taxa de esforço será de 80,5% e neste caso pouco mais sobra para as despesas do dia-a-dia, pagamento de faturas e qualquer evento inesperado que aconteça nas suas vidas.

Mediante estes valores, o crédito pessoal para o casamento provavelmente não seria concedido uma vez que se trata de uma taxa de esforço muito alta.

Seja qual for a decisão que tomem para este grande dia, o importante é terem em conta tudo o que podem ser custos desnecessários e tomarem as decisões em conjunto. Pois o casamento é apenas o 1º passo de uma vida em comum, e os passos seguintes (como comprar casa e ter filhos) são bem mais dispendiosos.

Agora que já sabe se vale a pena um crédito pessoal para casamentos, pense bem no que irá fazer e pesquise todas as opções existentes.

Qualquer dúvida não hesite em contactar-nos.

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Formado em Engenharia e apaixonado pela área Financeira, Ricardo Rodrigues criou a NValores em Agosto de 2013 com a missão de melhorar a literacia financeira dos Portugueses. Exerceu funções profissionais inerentes à categoria de Consultor Financeiro na Empresa Maxfinance, nomeadamente assessoria na obtenção de crédito pessoal, crédito consolidado, crédito automóvel, cartões de crédito, crédito hipotecário, leasing, seguros e aplicações financeiras. Desde de 2013 com funções profissionais inerentes à categoria de CEO na RRNValores Unipessoal, Lda, especificamente, gere uma equipa formada por consultores, marketing de conteúdos e programadores que criam, desenvolvem e mantêm uma plataforma com informação e comparação de produtos financeiros gratuita para todos os utilizadores. Email: geral@nvalores.pt

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