Crédito para trabalhadores independentes

trabalhador independente

São cada vez mais as pessoas que optam por trabalhar por conta própria. Contudo, embora possa obviamente ser algo bastante vantajoso, existem alguns pontos que devem ser considerados. A dificuldade de obter um crédito para trabalhadores independentes é um desses pontos que deve ser analisado.

Vamos ser sinceros! Embora trabalhar por conta própria seja um ato de coragem contra a precariedade laboral, a verdade é que em termos bancários as coisas não são assim tão lineares.

Para os bancos, trabalhar a recibos verdes é ter um trabalho precário e com poucas garantias ao final do mês. Afinal, na grande maioria dos casos os trabalhadores independentes são Freelancers e não têm um ordenado fixo ao final do mês.

Então será que os trabalhadores independentes não podem pedir um crédito?

Será que pedir um crédito habitação ou um cartão de crédito é impossível? Iremos esclarecer as suas dúvidas de seguida.

 

Crédito para trabalhadores independentes: difícil, mas não impossível!

Sabia que um trabalhador independente tem 37% menos de probabilidade de conseguir qualquer tipo de financiamento bancário?

Isso acontece essencialmente porque aos olhos do banco este tipo de trabalho não tem garantias de um ordenado fixo no final do mês.

Assim, e apesar de os bancos estarem a conceder cada vez mais créditos, os trabalhadores independentes são ainda colocados um pouco de parte nesse sentido.

Um exemplo muito prático.

Se 2 pessoas solicitarem um crédito de 40.000€ ao banco e tiverem exatamente as mesmas condições, o banco irá pedir muito mais garantias a um trabalhador independente do que irá pedir a um trabalhador por conta de outrem.

Isso porque, voltamos a frisar, ter um contrato de trabalho é para os bancos um sinal de garantia.

Embora saibamos que na vida real tudo pode mudar de um momento para o outro, e ter um contrato hoje não significa que nos próximos 30 ou 40 anos irá continuar a ter esse ordenado e esse trabalho.

Além disso, existe um fator muito importante a ter em consideração. Quando se é trabalhador independente, os rendimentos auferidos são calculados em termos parciais. Ou seja, não é tido em consideração 100% do rendimento auferido, mas sim 70%.

Ou seja, mesmo que um trabalhador a recibos verdes ganhe 1.000€ por mês, só são contabilizados 700€.

Isso leva a que haja uma penalização na hora de o banco realizar os cálculos e aprovar (ou não) o financiamento.

Mas, apesar de ser um pouco mais complicado conseguir um crédito para trabalhadores independentes, saiba que mesmo assim é possível. E, é também possível ter crédito habitação a trabalhar com recibos verdes.

Então o que é que deverá fazer? Continue a ler que explicamos-lhe tudo de seguida.

Cuidados a ter em mente para que o seu crédito seja aprovado

É importante frisar que estes cuidados que lhe iremos apresentar de seguida devem ser tidos em conta tanto por trabalhadores independentes como por trabalhadores por conta de outrem.

Os mesmos são os pilares base de avaliação bancária e que vão ajudá-lo não só a ter uma boa imagem perante o banco, mas também a organizar a sua vida antes de pedir um crédito (principalmente se falarmos de crédito habitação).

1 – Tenha um bom historial de crédito

Bem sabemos que não se deve de forma alguma pedir um financiamento bancário a “torto e a direito”.

Mas, ter um bom historial de crédito irá ser um ponto positivo para o banco na hora de optar por fazer ou não o seu financiamento.

Saiba que antes da aprovação, os bancos analisam o seu mapa de responsabilidades de crédito.

E o que é que isso quer dizer? É simples.

O banco vai ver todos os créditos que tem em vigor, se os pagamentos foram sempre feitos atempadamente ou se por algum motivo tem prestações em atraso ou falha prestações.

Se for um cliente bancário com um bom registo o banco irá ter mais à vontade para aprovar o seu financiamento.

2 – Avalie a sua taxa de esforço

Outro dos pontos que deve ter em mente se quer ter maior probabilidade de aprovar um crédito para trabalhadores independentes é a taxa de esforço!

O que é a taxa de esforço? De forma simples é o rácio entre o valor auferido por si e os créditos que tem em vigor.

Imagine que tem um ordenado mensal de 1.000€ e está a pagar alguns créditos no valor total de 500€. A sua taxa de esforço é de 50%. Ou seja, metade daquilo que ganha tem de usar para pagar créditos.

E, neste caso, nenhum banco lhe iria emprestar dinheiro pois a taxa de esforço é bastante elevada. Tenha em consideração que quanto mais baixa a taxa de esforço, maior a probabilidade de obter financiamento.

A taxa máxima por agregado familiar deve ser de 40%. Idealmente a mesma deve estar abaixo de 35%.

3 – Dê garantias ao seu empréstimo

Sim, dar garantias (preferencialmente boas garantias) é meio caminho andado para conseguir a aprovação do seu financiamento.

Se cumprir os dois pontos que começamos por indicar, já está num bom caminho para criar uma relação de credibilidade bancária. E, é essa relação que lhe vai permitir contrair um empréstimo mesmo sendo trabalhador independente.

Se for pedir um crédito habitação, lembre-se que os bancos já não concedem um empréstimo de 100% do valor de compra do imóvel.

Por isso, tente dar uma entrada bastante interessante. Assim, vai demonstrar ao banco que está empenhado em conseguir aquele dinheiro e que não se trata de uma compra por impulso.

A par disso, para a aquisição de um imóvel deverá também ter um fiador que se responsabilize e possa colmatar alguma falha no caso de a mesma ocorrer.

4 – Tenha um segundo titular

Outra opção para tornar o processo de crédito mais simples passa por ter um segundo titular no pedido. Se vive com alguém que tem um contrato de trabalho e um ordenado fixo, porque não fazer o pedido em nome dos dois?

Mesmo que seja só você a fazer o pagamento, para o banco é uma garantia extra de que vão ter dinheiro mensalmente para fazer face à despesa extra associada ao financiamento.

A par disso no caso de alguma coisa correr mal ou se tiver algum imprevisto, os bancos sabem que existe sempre outra pessoa associada ao compromisso.

5 – Faça várias simulações

Independentemente de trabalhar a recibos verdes ou ter um contrato de trabalho, a verdade é que é importante analisar a oferta existente no mercado.

Não é porque um banco não lhe concede o financiamento que todos os bancos vão ser iguais. Analise e verifique as opções, compare taxas de juro, veja qual o banco que lhe concede a melhor simulação.

Lembre-se que acima de tudo uma boa movimentação da sua conta bancária como trabalhador independente, uma análise cuidada às suas despesas e a distinção da conta pessoal da conta do negócio vão ser a chave para o sucesso de qualquer pedido de financiamento (e da sua própria liberdade financeira).

Sobre o autor: Ricardo Rodrigues

CEO e Fundador da RRNValores Unipessoal, Lda, Ricardo Rodrigues gere uma equipa formada por consultores, criadores de conteúdos e programadores que desenvolvem e mantêm uma plataforma gratuita com informação e comparação de produtos bancários. Formado em Engenharia Civil pelo Instituto Superior de Engenharia de Lisboa (ISEL) e apaixonado pela área Financeira, criou o nvalores.pt em Agosto de 2013 com a missão de garantir uma comparação independente de produtos bancários em Portugal. Exerceu funções de consultor financeiro independente na Empresa Maxfinance, nomeadamente assessoria na obtenção de crédito pessoal, crédito consolidado, crédito automóvel, cartões de crédito, crédito hipotecário, leasing, seguros e aplicações financeiras. Email: geral@nvalores.pt