Cortes nas Pensões

já chega de cortes

Os pensionistas foram afetados, nos últimos anos, por inúmeros cortes nas pensões, mas esta tendência poderá continuar nos próximos anos.

Mas antes de avançarmos para uma previsão relativamente à possibilidade de ocorrerem novos cortes nas pensões num futuro próximo, é importante fazer uma viagem ao passado mais recente, para que se tenha uma noção mais precisa sobre a dimensão dos cortes.

1. Contribuição extraordinária de solidariedade

Em abril de 2014 o governo avançou com uma nova Contribuição Extraordinária de Solidariedade (CES). Esta nova CES veio afetar pensionistas e reformados com pensões superiores a 1000 euros.

Até abril de 2014, a CES afetava apenas pensões superiores a 1350 euros, mas as novas regras vieram alargar a faixa de abrangência, passando a incidir sobre todas as pensões acima de 1000 euros.

Os cortes nas pensões foram significativos e causaram um impacto considerável no orçamento de milhares de reformados e pensionistas.

2. Exemplo do impacto dos cortes nas pensões

Se considerarmos uma pensão de 1100 euros brutos, a CES representa um corte de 39 euros mensais e no somatório dos 14 meses significa menos 546 anuais.

Já no caso de quem recebe 1350 euros por ano, o corte representa menos 661 euros por ano.

Este corte nas pensões foi gradual, ou seja, quanto mais elevada fora pensão, maior será a dimensão do corte.

3. O futuro vai trazer mais cortes nas pensões?

Estando o país à beira de eleições legislativas será prematuro fazer previsões a curto e médio prazo sobre eventuais novos cortes nas pensões, contudo, se tivermos em conta as últimas declarações da Ministra das Finanças, podemos tecer alguns cenários.

No passado mês de maio, Maria Luís Albuquerque, defendeu que para garantir a sustentabilidade da Segurança Social poderá ser necessário aplicar cortes nas pensões.

A responsável máxima pela pasta das Finanças defendeu que são necessárias medidas adicionais equilibrar a Segurança Social e preconizou que a redução das pensões atuais pode contribuir para uma distribuição mais equilibrada e sustentável.

Contudo, já depois destas declarações, o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, veio afastar a hipótese de aplicar cortes nas pensões atuais.

Segundo as declarações de Passos Coelho, o programa eleitoral da coligação, prevê um sistema que aproxima a segurança social do conceito de seguro: ou seja, no futuro, os reformados irão receber de acordo com aquilo que descontaram e não uma percentagem das suas remunerações.

Estas medidas deverão afetar apenas quem já se encontra no mercado laboral e não quem já se encontra reformado.

Sobre o autor: Ricardo Rodrigues

CEO e Fundador da RRNValores Unipessoal, Lda, Ricardo Rodrigues gere uma equipa formada por consultores, criadores de conteúdos e programadores que desenvolvem e mantêm uma plataforma gratuita com informação e comparação de produtos bancários. Formado em Engenharia Civil pelo Instituto Superior de Engenharia de Lisboa (ISEL) e apaixonado pela área Financeira, criou o nvalores.pt em Agosto de 2013 com a missão de garantir uma comparação independente de produtos bancários em Portugal. Exerceu funções de consultor financeiro independente na Empresa Maxfinance, nomeadamente assessoria na obtenção de crédito pessoal, crédito consolidado, crédito automóvel, cartões de crédito, crédito hipotecário, leasing, seguros e aplicações financeiras. Email: geral@nvalores.pt