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Ainda vale a pena Consolidar Créditos?

Ainda vale a pena Consolidar Créditos?

A consolidação de créditos é uma opção cada vez mais adotada em Portugal.

Para milhares de pessoas, esta operação pode ser a verdadeira solução para reduzir os seus gastos mensais com o pagamento de créditos.

Contudo, a consolidação de créditos acaba por ficar mais dispendiosa, se olharmos a longo prazo.

Por isso, antes de avançar, é importante perceber como esta funciona e quais são as suas vantagens e desvantagens.

No artigo de hoje, o NValores esclarece-lhe tudo o que precisa de saber para tomar uma decisão quanto à consolidação de créditos.

Conheça as vantagens e desvantagens da consolidação de créditos

São muitos os portugueses que têm optado por consolidar diversos pequenos empréstimos.

Empréstimos para a compra de habitação, pessoais, para a compra de automóveis, para viagens – é fácil acumular diversos créditos.

Em determinado ponto, o complicado é continuar a pagar as prestações de todos os créditos contraídos.

Quando o pagamento das obrigações associadas ao pagamento de créditos se torna insustentável, a consolidação é uma opção a ter em conta.

Para quem opta por consolidar créditos pessoais, o objetivo é quase sempre o mesmo: conseguir uma maior margem para gerir o orçamento familiar em cada mês.

Contudo, o que acaba por acontecer quase sempre que alguém opta por consolidar créditos é que, no final do empréstimo, acaba por ter que pagar substancialmente mais.

No entanto, existem algumas vantagens. Caso contrário ninguém iria optar por esta solução. Cabe ao consumidor analisar os pontos positivos e negativos, para perceber se a consolidação é, de facto, a melhor alternativa para si.

Como funciona o crédito consolidado?

O crédito consolidado consiste numa operação de reestruturação de dívida, cujo objetivo é reduzir o encargo mensal do consumidor, no que toca às suas prestações de crédito.

Para isso é feita a unificação das diversas prestações de empréstimo numa só. Esta prestação possui um valor menor, quando comparada à somatória de cada uma individualmente.

Em alguns casos, a poupança pode chegar até 60%, aliviando, e muito, o orçamento familiar.

Mas, como é possível? É claro que realizar esta operação tem um preço.

Para ser possível unificar e reduzir o valor das prestações, é necessário alargar o prazo da dívida.

Dessa forma, estará a pagar uma prestação menor, mas durante mais tempo. E é por isso que deve ter muito cuidado antes de optar por esta solução.

Para que possa ponderar se vale, ou não, a pena consolidar crédito, damos-lhe a conhecer algumas das suas vantagens e desvantagens.

Vantagens

Reorganização do orçamento familiar

Para uma família recorrer à consolidação de créditos é porque, à partida, a vida financeira sofreu alguma quebra.

Uma das vantagens de realizar esta operação é facilitar a reorganização do orçamento. Afinal, além de uma prestação reduzida, o consumidor terá de lidar apenas com uma taxa de juros e um banco para negociar.

Poupança

Conforme dito anteriormente, a consolidação de crédito permite uma poupança até 60% nas prestações.

Por isso, esta é a principal vantagem e o motivo que leva muitos portugueses a consolidarem as suas dívidas.

Dilatação dos prazos

A dilatação dos prazos é necessária para a redução do valor da prestação. Em alguns casos específicos, este alargamento pode até ser vantajoso.

Isto porque o consumidor que apresenta dificuldades na vida financeira, tem mais tempo para se organizar e retomar o controlo das finanças.

Possibilidade de contratar outro financiamento

A principal intenção da consolidação de créditos é aliviar o orçamento do consumidor. Porém, algumas pessoas precisam de reduzir a taxa de esforço, por terem a necessidade de contratar mais um crédito.

Nestes casos, como o resultado da operação é uma prestação menor, a taxa de esforço também é reduzida.

Mas se existem algumas vantagens, também existem inúmeras desvantagens, que apresentaremos de seguida.

Desvantagens

Acesso limitado

Se tem várias prestações de crédito e não conseguiu pagar alguma delas, pode não ser possível consolidar os empréstimos.

Isto porque, quem está em incumprimento, dificilmente terá o pedido de consolidação aprovado na entidade bancária.

Aumento do prazo da dívida

A dilatação do prazo também pode ser vista como uma consequência negativa, já que este aumento significa também mais tempo de dependência financeira em relação à instituição credora.

Valor total do crédito

Quanto maior for o prazo do empréstimo, mais tempo estará a pagar juros e, por isso, o Montante Total Imputado ao Consumidor (MTIC) também será elevado.

É preciso ponderar se vale a pena pagar muito mais do que o valor que, de facto, recebeu pelo empréstimo.

crédito habitação

Atenção ao Spread!

Se pondera consolidar créditos deve olhar com toda a atenção para as novas condições propostas pelo banco.

Na maioria dos casos, os bancos não permitem a consolidação sem que aumentem a sua margem de lucro.

Assim, o cliente tem que iniciar a negociação sabendo de antemão que o banco irá procurar aumentar o spread.

Um aumento considerável do spread irá resultar na subida dos juros a pagar e, em muitos casos, essa subida pode ser significativa.

Cabe a cada cliente tentar evitar que a consolidação de créditos não resulte numa pequena diminuição da mensalidade e num grande aumento dos juros a pagar.

O que tem que fazer para evitar que o spread suba para patamares que irão causar danos no seu bolso? Bom, na verdade, a única opção é negociar e ter sempre várias opções em carteira.

Se tiver mais do que uma proposta de consolidação de créditos na mão, ganhará poder negocial e será mais fácil conseguir um acordo razoável.

Se não fizer o seu “trabalho de casa” de forma antecipada e se contactar a sua instituição financeira sem mais nenhuma proposta em carteira, então o mais certo é ter que se sujeitar às condições impostas pelo credor.

Veja qual o melhor banco para consolidar créditos

Outros cuidados a ter ao consolidar créditos

Antes de optar por consolidar créditos deve ter em atenção o indexante associado ao crédito à habitação.

A maioria dos créditos pessoais possui taxas de juro fixas, enquanto os empréstimos à habitação estão geralmente indexados à Euribor.

É certo que as taxas de juro estão hoje em mínimos históricos, mas os especialistas avizinham uma subida de 1% num futuro próximo, o que pode fazer com que a consolidação deixe de compensar.

Outro ponto que deverá verificar antes de consolidar créditos pessoais é informar-se sobre as comissões por amortização antecipada que terá que pagar.

Em alguns casos, estas comissões são suficientemente relevantes para fazer com que não compense optar pela consolidação.

O pressuposto de que consolidar créditos pessoais compensa sempre está errado. Na verdade, em algumas situações, a consolidação pode ser desvantajosa e pode conduzir a um aumento generalizado do custo associado aos créditos.

Antes de pedir para consolidar créditos deve:

Falar com o seu banco.

O seu primeiro passo deve ser entrar em contacto com o seu banco e tentar renegociar as condições do seu empréstimo.

Se, por exemplo, conseguir negociar novas condições do seu crédito à habitação poderá conseguir a margem que procura no seu orçamento mensal.

Esta renegociação pode ser muito mais vantajosa do que a consolidação de créditos, por isso comece por aqui.

Escolher o crédito hipotecário

Quanto tentar consolidar créditos, escolha consolidar através do crédito hipotecário, se tal for possível.

Para consolidar o crédito habitação com outros créditos pessoais, a solução mais viável passa por fazer uma transferência do crédito habitação para outro banco, incluindo o montante total dos crédito pessoais e cartões de crédito.

A DECO aconselha os consumidores a optarem por este tipo de crédito, em detrimento da consolidação com recurso ao crédito pessoal.

Não hesite em fazer perguntas

Antes de consolidar créditos pessoais não hesite em fazer perguntas. Olhe com atenção para a Taxa Anual Efetiva Global (TAEG) e para a Taxa Anual Efetiva (TAE), já que estas taxas irão determinar o custo global do crédito. Lembre-se que apenas você pode salvaguardar os seus interesses.

Compare opções. Não aceite a primeira proposta de consolidação de créditos que lhe for apresentada. Se resolver realmente avançar para esta solução, peça mais propostas junto de outras entidades financeiras e compare todas as suas opções.

Pense bem antes de avançar

Algumas financiadoras apresentam o crédito consolidado como um conto de fadas, como uma solução perfeita para quem se debate com dificuldades provocadas pela contratação de múltiplos créditos.

Lembre-se que consolidar créditos pessoais é uma decisão que pode resultar num ganho imediato em termos de liquidez, mas que a longo prazo acaba por resultar no pagamento de mais juros.

Revisto por Ricardo Rodrigues

CEO e Fundador da NValores (RRNValores Unipessoal, Lda,)

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