Como fazer o cálculo do salário líquido dos Portugueses em 2017
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Como fazer o cálculo do salário líquido dos Portugueses em 2017

By | 2018-02-19T04:01:04+00:00 25/01/2017|Categories: Emprego|

Apesar de 2017 ainda se encontrar nos seus primeiros dias, existem já diversas alterações no que respeita a remuneração base mensal dos trabalhadores, sendo que até agora as alterações com maior impacto foi a (nova) subida do ordenado mínimo nacional para os 557€ e a abolição da sobretaxa de IRS para todos os trabalhadores com vencimentos até aos 1.705€.

Com todas as alterações que ocorreram, tem havido diversas questões relativamente ao cálculo do salário liquido que é auferido mensalmente pelos contribuintes portugueses.

Uma vez que ainda nos encontramos a meio de janeiro, os trabalhadores portugueses não receberam ainda o seu primeiro salário de 2017 e continuam sem saber como é que o mesmo é calculado.

A pensar em si que tem diversas questões relativamente a este tópico, vamos explicar-lhe como é que o salário líquido de 2017 é calculado.

É importante salientar, que a maior parte dos portugueses, quando utiliza um simulador do salário líquido, limita-se apenas a olhar para os valores apresentados, sem compreender verdadeiramente o seu significado.

No entanto, hoje o NValores vai explicar-lhe de forma pormenorizada tudo o que necessita saber sobre as parcelas que são descontadas ou adicionadas mensalmente ao seu ordenado bruto.

Veja também: Aumentos salariais em 2018: Tudo o que precisa saber

1 – Como calcular o salário líquido em 2017

Antes mesmo de avançarmos para a explicação da taxas, sobretaxas e reduções salariais, é importante ter em conta o que é que é efetivamente o salário líquido e qual a diferença para o salário bruto.

1.1 – Salário líquido

É o valor efetivo que cada trabalhador recebe em troca do seu trabalho mensal. A este valor, já se encontram deduzidos todos os descontos e taxas e adicionados prémios e subsídios. Ou seja, de forma simples, é o dinheiro que efetivamente recebe no final de cada mês.

1.2 – Salário Bruto

Este representa o valor total que o trabalhador recebe, não contando com os descontos nem com os subsídios.

Por exemplo, se um trabalhador tiver um salário bruto de 1.000€ o seu salário líquido será:

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1.000€ – Taxas + Subsídio de alimentação + Prémios de produtividade + Ajudas de custo, etc.

É importante ter em conta que o subsídio de alimentação, ajudas de custos e prémios de produtividade podem ser ainda aplicados, no entanto essa situação vai depender de caso para caso (nomeadamente o que foi acordado em si e a entidade patronal).

2 – Explicação dos descontos e subsídios

Uma vez que já sabe o que é o salário líquido e quais as principais diferenças entre este e o salário bruto, é importante saber quais as taxas e subsídios que podem eventualmente incidir no seu ordenado.

Salientamos desde já que existem algumas diferenças entre o setor público e privado.

1.1. Funcionários do setor privado

Para simplificar, vamos começar pelos funcionários do setor privado.

1.1.1. Descontos do setor privado

Taxa para a segurança social

O seu valor é sempre de 11% do salário bruto para todos os trabalhadores, independentemente do valor auferido mensalmente.

IRS (Imposto Sobre os Rendimentos)

A taxa de IRS é variável e depende de diversos fatores como a morada fiscal (Continente, Madeira ou Açores), estado civil, número de dependente a cargo, algum grau de deficiência e valor do salário bruto.

É importante salientar que a percentagem de desconto para o IRS pode variar entre os 0% e os 48% (de acordo com o escalão de IRS em que se encontra).

As tabelas que definem os valores de IRS a descontar em 2017 já foram publicadas em Diário da República (pelo menos para o Continente) através do despacho nº 843-A/2017.

Sobretaxa de IRS

Desde o início de 2016 que houve algumas alterações relativamente a este tema, no entanto, com o início de 2017 mais alterações foram aprovadas. Assim sendo, em 2017, todos os contribuintes que aufiram um rendimento igual ou inferior a 1.705€ estão isentos do pagamento desta taxa extraordinária.

Para quem aufere valores superiores, a sobretaxa mantém com diferentes percentagens.

1.1.2. Subsídios

São diversos os subsídios que um trabalhador poderá receber, no entanto os seguintes são os mais usuais:

Subsídio de alimentação

O seu pagamento pode ser feito de diversas formas, nomeadamente dinheiro, cartão de refeição, vales ou géneros. No caso do mesmo ser realizado em dinheiro essa parcela acresce ao valor do ordenado que recebe mensalmente.

É importante salientar que no caso deste ser pago em dinheiro e se o seu valor for maior que 4,27€ diários, a parcela que excede esse valor fica sujeita a retenção de IRS. O pagamento em vales ou cartão de alimentação permite que o valor isento de taxas aumente para 6,83€

Por exemplo, se receber 6€ diários em dinheiro, então: 6€ – 4,27€ = 1,73€.

O que significa que 4,27€ de subsídio de refeição são isentos de taxações e os restantes 1,73€ são sujeitos a taxação.

Subsídio de férias e de Natal

Já há alguns anos que existe a legislação que regula o pagamento dos subsídios de férias e de natal em duodécimos, ou seja, o seu valor é repartido pelos 12 meses do ano, sendo que o trabalhador recebe esse valor juntamente com o ordenado.

Recentemente vulgarizou-se esta prática e atualmente os trabalhadores do setor privado podem optar pode receber metade destes subsídios em duodécimos e a outra metade na época normal (antes das suas férias e do Natal) ou por inteiro.

Prémio de produtividade e ajudas de custo

Estes valores não são iguais para todos os trabalhadores, e variam de acordo com o contrato de cada um. No entanto, nos casos em que os mesmos existem, estão também sujeitos às devidas deduções.

Tal como dissemos anteriormente, existem mais subsídios ou prémios que podem ser acrescentados ao ordenado individual de cada trabalhador, no entanto estes são os mais frequentes.

1.2. Funcionários públicos

Quando se faz o cálculo do salário liquido de 2017 para os funcionários públicos, existem algumas características que diferem um pouco das que apresentámos anteriormente, nomeadamente:

  • O Orçamento do Estado de 2017 prevê a manutenção de algumas restrições às despesas com pessoal, nomeadamente: a proibição de valorizações remuneratórias, o congelamento da atribuição de prémios de produtividade, cortes nas horas extraordinárias ou reduções nas ajudas de custo.
  • Relativamente às taxas de segurança social e IRS, os trabalhadores da função pública realizam os mesmos descontos que os trabalhadores do setor privado.
  • O setor privado tem também outro desconto mensal de 3,5% que corresponde à ADSE.
  • Já em relação aos subsídios, existem também algumas características especiais, nomeadamente o facto de o subsídio de alimentação ter aumentado para os 4,52€ e ser sempre pago em dinheiro.
  • Outra diferença é que apenas metade do subsídio de natal será pago em duodécimos, sendo a outra metade paga em novembro.

2 – Exemplos de cálculo do salário líquido em 2017

As variáveis que lhe indicamos anteriormente, são aquelas que deve ter em conta se quer saber como é que se faz o cálculo do salário líquido em 2017.

Iremos apresentar-lhe 6 simulações diferentes (3 para o privado e 3 para o público), partindo dos mesmos pressupostos, sendo a única exceção o valor de ordenado bruto auferido mensal.

Para clarificar alguma dúvida que possam ainda restar sobre como deve fazer o cálculo do seu vencimento vamos apresentar um exemplo tipo considerando as características seguintes:

Salário bruto 1.000€
Residência fiscal Continente
Estado Civil Casado, dois titulares
Número de dependentes 2
Incapacidade Inexistente
Subsídio de alimentação Pago no valor de 4,27€ dia (e 4,52€ dia para o setor público)
Subsídio de Natal e de férias Metade em duodécimos
Número de dias trabalhados 22

2.1 – Exemplo para um trabalhador que aufere 1000€

2.1.1 – Cenário 1 – Trabalhador do Setor Privado

Tomemos por exemplo a Joana, casada desde 2005, e que trabalha como consultora comercial auferindo mensalmente 1000€ de ordenado bruto, mãe de 2 filhos e residente em Lisboa.

Descrição Valor Bruto Valor Sujeito a Imposto Taxa Imposto
Salário 1.000,00 € 1.000,00 €
Subsídio de Alimentação 93,94 € 0,00 €
Duodécimos 83,33 € 83,33 €
Segurança social 11% -119,17 €
IRS 8,70% -94,00 €
Sobretaxa 0% 0,00 €
Total 1.177,27 € 1.083,33 €   -213,17 €
Resultado salário líquido mensal     964,11 €

Salário Líquido no Sector Privado: 1.000€ – 213,17+ 177,27€ = 964,11€

2.1.2 – Cenário 2 – Trabalhador da Função Pública

Tomemos por exemplo o Manuel, casado desde 1989, e que trabalha num dos departamentos da Segurança Social no Porto auferindo mensalmente 1.000€ de ordenado bruto. O Manuel tem ainda dois filhos.

Descrição Valor Bruto Valor Sujeito a Imposto Taxa Imposto
Salário 1.000,00 € 1.000,00 €
Subsídio de Alimentação 99,44 € 0,00 €
Duodécimos 41,67 € 41,67 €
Segurança social 11% -113,13 €
ADSE 3,50% -36,46 €
IRS 8,70% -90,00 €
Sobretaxa 0% 0,00 €
Total 1.141,11 € 1.041,67 € -241,04 €
Resultado salário líquido mensal       900,07€

Salário Líquido na Função Pública: 1000€ – 241,04€ + 141,11€ = 900,07 €

2.2 – Exemplo para um trabalhador que aufere 2000€

As características seguintes vão ser utilizadas para exemplo tipo que iremos apresentar de seguida.

Salário bruto 2.000€
Residência fiscal Continente
Estado Civil Casado, dois titulares
Número de dependentes 2
Incapacidade Inexistente
Subsídio de alimentação Pago no valor de 4,27€ dia (e 4,52€ dia para o setor público)
Subsídio de Natal e de férias Metade em duodécimos
Número de dias trabalhados 22

2.2.1 – Cenário 3 – Trabalhador do Setor Privado

Tomemos por exemplo a Filipa, casada desde 2016, e que trabalha como marketer, auferindo mensalmente 2000€ de ordenado bruto, mãe de 2 filhos e residente em Braga.

Descrição Valor Bruto Valor Sujeito a Imposto Taxa Imposto
Salário 2.000,00 € 2.000,00 €
Subsídio de Alimentação 93,94 € 0,00 €
Duodécimos 166,67 € 166,67 €
Segurança social 11% -238,33 €
IRS 21,20% -459,00 €
Sobretaxa 1,75% -15,15 €
Total 2.260,61 € 2.166,67 €   -712,49 €
Resultado do salário líquido mensal 1.548,12€

Salário Líquido no Sector Privado: 2.000€ – 712,49 + 260.61€ = 1.548,12€

2.2.2 – Cenário 4 – Trabalhador do Setor Público

Tomemos por exemplo o Pedro, casado desde 1992, e que trabalha na junta de freguesia de Castelo Branco auferindo mensalmente 2.000€ de ordenado bruto. O Pedro tem ainda dois filhos.

Descrição Valor Bruto Valor Sujeito a Imposto Taxa Imposto
Salário 2.000,00 € 2.000,00 €
Subsídio de Alimentação 99,44 € 0,00 €
Duodécimos 83,33 € 83,33 €
Segurança social 11% -226,25 €
ADSE 3,50% -72,92 €
IRS 21,20% -441,00 €
Sobretaxa 1,75% -12,90 €
Total 2.182,77 € 2.083,33 € -755,98 €
Resultado do salário líquido mensal 1.426,80€

 

Salário Líquido no Sector Público: 2.000€ – 755,98 + 182,77€ = 1.426,80€

2.3 – Exemplo para um trabalhador que aufere 3000€

As características seguintes vão ser utilizadas para os exemplos tipo que iremos apresentar de seguida.

Salário bruto 3.000€
Residência fiscal Continente
Estado Civil Casado, dois titulares
Número de dependentes 2
Incapacidade Inexistente
Subsídio de alimentação Pago no valor de 4,27€ dia (e 4,52€ dia para o setor público)
Subsídio de Natal e de férias Metade em duodécimos
Número de dias trabalhados 22

2.3.1 – Cenário 5 – Trabalhador do Setor Privado

Tomemos por exemplo o Miguel, casado desde 2013, e que trabalha como gestor informático numa multinacional, auferindo mensalmente 3000€ de ordenado bruto, pai de 2 filhos e residente em Sintra.

Descrição Valor Bruto Valor Sujeito a Imposto Taxa Imposto
Salário 3.000,00 € 3.000,00 €
Subsídio de Alimentação 93,94 € 0,00 €
Duodécimos 250,00 € 250,00 €
Segurança social 11% -357,50 €
IRS 27,20% -884,00 €
Sobretaxa 1,75% -24,59 €
Total 3.343,94 € 3.250,00 € -1.266,09 €
Resultado do salário líquido mensal 2,077,85€

Salário Líquido no Sector Privado: 3.000€ – 1.266,09 + 343,94€ = 2.077,85€

2.3.2 – Cenário 6 – Trabalhador do Setor Público

Tomemos por exemplo a Marisa, casada desde 1995, e que trabalha na Câmara Municipal de Albufeira auferindo mensalmente 3.000€ de ordenado bruto. O Marisa tem ainda dois filhos.

Descrição Valor Bruto Valor Sujeito a Imposto Taxa Imposto
Salário 3.000,00 € 3.000,00 €
Subsídio de Alimentação 99,44 € 0,00 €
Duodécimos 125,00 € 125,00 €
Segurança social 11% -339,38 €
ADSE 3,50% -109,38 €
IRS 27,20% -850,00 €
Sobretaxa 1,75% -21,32 €
Total 3.224,44 € 3.125,00 € -1.324,45 €
Resultado do salário líquido mensal  1.899,99€

Salário Líquido no Sector Público: 3.000€ – 1.324,45 + 224,04€ = 1.899,99€

Esperamos que com esta explicação e os exemplos apresentados tenha conseguido entender um pouco melhor como é realizado o cálculo do seu salário líquido em 2017.

Qualquer dúvida que tenha não hesite em contactar-nos.

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By | 2018-02-19T04:01:04+00:00 25/01/2017|Categories: Emprego|

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Ricardo Rodrigues é CEO e Fundador do NValores desde 2013. Plataforma para pedir crédito online. Nomeadamente crédito pessoal, crédito consolidado e crédito habitação. Email: geral@nvalores.pt
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